Torcedores de Cruzeiro e Atlético escrevem sobre a final

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Torcedores de Cruzeiro e Atlético vivem a expectativa da final

Dia de clássico em Minas Gerais, especialmente em Belo Horizonte, é sempre recheado de vibração e tensão. Se isso é válido para um jogo normal, imagine então para uma decisão de campeonato. Torcedores de Cruzeiro e Atlético vivem a expectativa de uma grande partida no dia 8 de abril.

O Mineirão será palco da final do Campeonato Mineiro de 2018. No primeiro jogo, disputado no dia 1º, o Atlético venceu o maior rival por 3 a 1. Para ser campeão, pode perder por até um gol de diferença

Já o Cruzeiro precisa vencer por pelo menos dois gols de diferença para levantar a taça.

O Boas Novas MG entrou no clima de decisão e convidou dois torcedores, de Cruzeiro e Atlético, para escrever sobre a grande final.

Como o mando de jogo é do Cruzeiro, o primeiro texto é do torcedor azul. Em seguida, está o do fã do Galo.

Boa sorte aos dois times!

Um jogo para retomar a confiança, mesmo que sem o título

Por Pablo Pacheco

Do início da atual edição do Campeonato Mineiro, no dia 17 de janeiro, até a segunda partida da finalíssima, neste domingo, dia 9, não se passaram três meses. Mas, para os torcedores do Cruzeiro, paira a impressão de que o estadual se dividiu em dois momentos distintos.

A primeira, transcorrida de forma avassaladora pela equipe celeste, que não só terminou a primeira fase na liderança isolada — com nove vitórias e oito pontos à frente do segundo colocado — como também respondeu pelo melhor ataque (20 gols) e a melhor defesa ao final de 11 jogos e apenas dois gols sofridos.

Nas quartas-de-final e nas semifinais, o Patrocinense e o Tupi, respectivamente, até conseguiram endurecer o jogo, mas a qualidade do elenco cruzeirense se impôs e a vinda de mais um título mineiro era só questão de tempo. O Cruzeiro apresentava um futebol muito superior – até mesmo em comparação ao rival da decisão, o Atlético.

Porém, foi a partir da definição dos finalistas que o Cruzeiro passou ao segundo momento dentro de uma mesma competição. Os atleticanos costumam dizer que os cruzeirenses tremem quando os principais rivais de Minas se encontram em uma decisão. E o resultado da primeira partida da final, 3 a 1 para o Atlético — incluindo um primeiro tempo cruzeirense para ser esquecido —, só fez aumentar as piadas dos rivais.

Eu prefiro acreditar que, com o início da Taça Libertadores, a equipe celeste finalmente foi apresentada às dificuldades de se manter um futebol de alto nível em, no mínimo, três competições importantes durante uma temporada: o estadual, o fortíssimo torneio continental e o extenso Campeonato Brasileiro.

Na melhor das situações, o Cruzeiro conseguiria se manter no topo com a formação de três elencos diferentes.

No entanto, como utopia não balança as redes, vamos avaliar friamente o que pode acontecer na decisão. A vantagem construída pelo Cruzeiro nas fases anteriores se desfez com a vitória atleticana no primeiro duelo da final. Por isso, caso queiram levar o Campeonato Mineiro deste ano, os jogadores celestes terão que buscar a vitória azul por pelo menos dois gols de diferença.

Mas a retrospectiva dos resultados nos três jogos mais importantes do Cruzeiro não traz a confiança de que o torcedor precisa. A derrota para o Racing (4 a 2) na estreia da Libertadores, o revés na decisão estadual e o empate, em casa, com o Vasco da Gama (0 a 0), também pela Libertadores, acenderam o alerta na Toca da Raposa.

Aquele time combativo e competitivo do início do ano desapareceu. Ou, na pior das hipóteses, cansou. E demonstrar cansaço ainda no primeiro semestre não é nada bom para um clube que tem sido apontado como favorito na temporada.

Foto: Vinicius Silva/Cruzeiro

Por cansaço ou por erro de escalação, a certeza é que o Cruzeiro precisa mudar para o segundo confronto da final mineira. Talvez seja a hora de o treinador Mano Menezes escalar entre os titulares o zagueiro Dedé, o volante Bruno Silva e o atacante Raniel — nos lugares do defensor Léo, do meio-campista Henrique e do centroavante Sassá, que caíram de produção.

Um time mais rápido pode ser a solução nesta decisão do estadual, contra um rival de elenco mais experiente.

Notícias vindas do departamento médico da Toca da Raposa, por sua vez, sinalizam que Murilo e Lucas Romero podem ficar fora do clássico. Assim, Léo ganha mais uma chance no time titular e Edilson retorna à lateral direita.

Com ou sem desfalques, o Cruzeiro precisa de raça e inteligência no clássico. Raça para mostrar à torcida que o clube tem sim um dos melhores elencos desta temporada, capaz de reverter situações adversas. Inteligência para travar um bom combate com os atleticanos, que, confiantes, sabem que jogam em vantagem.

Chutômetro: o meu lado mais otimista acredita que o Cruzeiro vai devolver o placar e sair do Mineirão com uma vitória por 3 a 1 e o título do campeonato mineiro. Meu lado mais pragmático martela em minha cabeça que o clássico deste domingo terminará em um 2 a 2.

Pablo Pacheco é de Sete Lagoas, cruzeirense desde 1979

Futebol é jogado e é decidido dentro das quatro linhas

Por Renata Monteiro

Quarta-feira passada, conversando com três torcedores (meu irmão atleticano, um amigo são-paulino e outro cruzeirense), eles previam o resultado do Campeonato Mineiro 2018: superiores tecnicamente, os azuis tinham tudo para ser campeões. Dias antes, de um cruzeirense raiz (explico: daqueles em cujo dicionário não existe o verbete humildade), ouvi inclusive quais seriam os placares elásticos dos dois jogos que definiriam o certame a favor, claro, do time dele.

Nas duas ocasiões, dei a minha opinião: favoritos é claro que eles são, mas lembrem-se de que estamos falando de um clássico e nesta hora tudo é possível.

Particularmente, sempre gostei de ver o Galo enfrentar o Barcelona das Américas exatamente quando, tecnicamente, o time deles está voando e o nosso, por baixo. É que nestes momentos a torcida azul não consegue disfarçar seu DNA arrogante e, assim, sempre oferece combustível extra para os nossos jogadores entrarem em campo.

Nunca me esqueço, por exemplo, do Brasileirão de 99. Eles terminaram a primeira fase impecavelmente em segundo lugar. Nós, empurrados, na última rodada conseguimos ficar em sétimo para, nas quartas-de-final, enfrentarmos os tão superiores rivais. E pá! Não deu outra. Gaaaaaaaalo! Com duas vitórias incontestáveis no Mineirão, nosso eterno salão de festas que, ultimamente, eles teimaram em ter como canto exclusivo deles no mundo.

Será que vale mencionar aqui a Copa do Brasil 2014? O Mano Menezes vestia outras cores, mas algo me diz que ele lembra muito bem…

Foto: Pedro Souza/Atlético

O futebol tem disso. É decidido ali no espaço delimitado pelas quatro linhas. Mas a falação que precede o apito inicial, tenho certeza, entra em campo com cada jogador. Alguém tem dúvidas que ao entrarem no Horto no domingo de Páscoa os jogadores do Galo tinham em suas mentes a promessa do Mano de que seu time nunca mais levaria três gols em um único jogo?

Ou a entrevista simpática do Thiago Neves de que o time dele passaria por cima de qualquer adversário na final e seria campeão? Os placares levantados pelos torcedores azuis antes de a bola rolar? Nem vou entrar aqui naquela discussão chata sobre o campeonato ser rural.

Eu, como filha das montanhas, faço questão de ser campeã mineira, sim. E a turma do lado de lá, apesar de jurar o contrário, parece que também faz, né?

Esses mesmos jogadores que vestiram nosso manto no Horto no domingo de Páscoa viram, e contribuíram, claro, para que o Galo voltasse, depois de um intervalo de alguns anos, a começar mal e desacreditado uma temporada.

Ouviram e sofreram as consequências da entrevista atrapalhada do Osvaldo de Oliveira. E as presepadas da diretoria alvinegra depois daquilo. Mas também são eles que aprenderam com o ídolo aposentado que “quando tá valendo, tá valendo”.

E sabem que do lado de fora do campo podem contar com uma imensa torcida que não desiste nunca e que está sempre pronta para fazer explodir seu amor naquela hora mágica do gol.

Ah! Não! Foram três gols! No pequeno espaço de um tempo de jogo! Agora longe das arquibancadas, eu ficava observando os olhares dos amigos de fé no bar aqui de Barbacena em que assistimos ao jogo.

Torcedor fala com os olhos e os nossos, naquele momento, diziam: quem foi que disse? E repetiam, incansavelmente: quem foi que disse? Na hora do terceiro, fui pular no meio da rua, sem nem me preocupar se passava carro. Sempre é bom lembrar: cabalisticamente ou não, os mesmos três gols que o Mano garantiu que seu time não levaria mais, né? O que, talvez, Thiago Neves tão humildemente definiu por “passar por cima”.

É claro que comemoramos no domingo de Páscoa. Ou 1º de abril? Cantamos, sim. Buzinamos muito. Dançamos. Zoamos. Fomos para as redes sociais desabafar a humilhação tão propagada que, por fim, não aconteceu.

Uma amiga querida, a Carol Alcântara, postou apenas assim no Facebook “O QUE???? O QUE?????”. Para mim, a manifestação mais perfeita daquele domingo.

Mas, lógico, de imediato foi atacada com aquele blá de “olha lá, está comemorando antes da hora, o campeonato não acabou”. Amigo azul do meu irmão tirou print do post dele, aquele já folclórico sobre a tremedeira, na intenção de revidar neste próximo domingo.

Calma, gente! Até agora só quem mencionou a sagrada palavra “campeão” fora da hora continuam sendo o Thiago Neves e seus sempre confiantes torcedores. Nunca consegui entender em que mundo esta turma vive. Nem tento mais. Aos 42, já sei que é das coisas que vou morrer não conseguindo entender.

Para o próximo domingo? Claro que o Barcelona das Américas é o favorito. As estatísticas estão todas aí e como este espaço é de torcedor deixo para os amigos analistas falarem sobre elas para vocês. Eles entendem muito melhor que eu. Uma coisa realmente é fato: fazer dois gols no Galo é totalmente possível. Mas é bom tomar cuidado. Porque ninguém morre de véspera. E neste maluco mundo do futebol já nos ensinaram que clássico é clássico e vice-versa.

O esquema tático e a preleção do dia 8 são do Thiago Larghi. Eu apenas registro aqui meu grito orgulhoso de quem nasceu, cresceu e morrerá amando o time da massa. E da raça. Vai pra cima deles, Galo! De novo.

Renata Monteiro é de Barbacena, atleticana desde 1976

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