Jornalista investe em projetos para promover a leitura

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O Clis pretende criar hábito de leitura nas crianças

O Boas Novas já conversou com um jornalista que abandonou as redações para se dedicar a promover o queijo mineiro. Não dá para dizer que é uma tendência, mas outra jornalista também saiu do jornalismo diário, só que atraída por outro segmento: o livro.

Leida Reis é mineira de Patrocínio e mora em Belo Horizonte há quase 33 anos. Dos seus 51 anos, dedicou 26 ao jornalismo diário, com passagens pelo Diário do Comércio, Estado de Minas, O Tempo e Hoje em Dia.

O jornalismo ainda permanece nas veias de Leida. Ela é a editora do menor jornal do mundo, o Vossa Senhoria, reconhecido pelo Guiness Book em 2000, além de colaborar como repórter para a revista Inclusive.

Mas o livro é algo que rodeia Leida. Veja só como ele faz parte da vida da jornalista. Ela foi curadora do 1º Festival Literário de Belo Horizonte (2015), recebeu convites de inúmeras feiras mineiras do livro e faz parte do grupo que elabora o Plano Estadual do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas de Minas.

Também é autora de dois romances e de um livro de contos. Seus filhos carregam o sobrenome Poesia, prova maior do amor às palavras. Tanto que ela decidiu criar uma editora, a Páginas.

E ela não para. Assinante de um clube literário, Leida percebeu que esse era um segmento que vinha crescendo no Brasil. A ideia estalou quando se deparou com uma mensagem de solidariedade em uma instituição religiosa, que pedia pra colaborar com as despesas.

Ela então juntou as duas expressões mágicas, clube do livro e solidariedade, para criar o Clube do Livro Infantil Solidário (Clis). Ela explica o conceito: “A ideia foi criar um clube em que os assinantes não receberiam os livros, mas as obras iriam para crianças que estão em instituições de recolhimento ou de apoio, como abrigos e creches”.

O participante do clube paga uma assinatura (a partir de R$ 45), que banca o livro, o lanche, o cachê do contador de história e um brinde, normalmente, um material escolar. A entrega do livro é feita em uma instituição, em um evento para a criança se envolver com a leitura.

A jornalista Leida Reis com os livros lançados por sua editora | Foto: Clarice Poesia

Projeto quer criar hábito de leitura

Como os livros ficam com as crianças, a expectativa é que as elas comecem a montar sua biblioteca particular, para se tornarem leitores, com hábitos e gosto pela leitura. Por isso, a proposta do Clis é voltar ao mesmo grupo de crianças a cada dois meses, com participação do autor do livro.

Os livros entregues em abrigos ficam ali enquanto as crianças estiverem abrigadas. E quem recebe na creche é incentivada a ler para o irmão e também para os pais. “Queremos que aprendam a valorizar e a amar o objeto livro, que em suas casas seja criado um cantinho para o livro, depois de uma experiência lúdica de ouvir a história”, diz Leida.

O Clis começou nas Obras Educativas do Padre Giussani, no Jardim Felicidade, em Belo Horizonte. Crianças do abrigo Casa Novella, de 7 a 12 anos, receberam seus livros no ano passado. O Instituto Camará, em Ribeirão das Neves, também já participou do projeto.

Por enquanto, os livros adotados pelo Clis são da Páginas Editora. Foram dois títulos: “Bilô Desembolô”, de Vanessa Corrêa, que também fez a contação, e “Vovó Inventa Palavras”, de Rosa Maria Miguel Fontes. Os títulos para 2018 ainda não estão definidos, mas a ideia é incluir crianças de 4 a 6 anos.

Crianças ouvem história s nas Obras Educativas Padre Giussani | Foto: Patrícia Lima

Apoio financeiro é essencial

O projeto começou em setembro de 2017, mas o número de padrinhos (como são chamados os assinantes) ainda não banca o evento completo. Por isso, a Páginas Editora vem cobrindo os gastos necessários.

O Clis está aberto para apoio empresarial, mas até agora ninguém se interessou. “Mas não perdi as esperanças, pois vejo potencial no Clis na formação de leitores, na educação dessas crianças. É uma alegria ver as crianças admirando o próprio nome no livro”, diz Leida.

Clis vence concurso de leitura

E o projeto vem conseguindo sucesso. No fim de 2017, o Clis venceu o concurso Leitura do Bem, que premiou 12 iniciativas de incentivo à leitura em Minas Gerais. O prêmio tem tudo a ver com o projeto: um castelinho de 400 livros e revistas infantis e infantojuvenis.

Crianças com seus livros no Instituto Camará, em Ribeirão das Neves | Foto: Leida Reis

Livros que ficam na mercearia

E Leida Reis não fica só com editora, o menor jornal do mundo e projetos solidários. Ela também promove a leitura por meio de um projeto chamado Mercearioteca. A ideia surgiu em 2014, quando começou a colocar livros para emprestar em uma mercearia da família.

Hoje, o projeto está em outros cinco endereços, um deles na sua Patrocínio. “Este é um projeto mais estático, mas que também é importante e mostra que é fácil espalhar livros pelos cantos do mundo, onde leitores têm facilidade com o objeto que amam e não leitores passam a pensar ou mesmo experimentar a leitura.”

Os livros ficam disponível em uma estante no estabelecimento e o interessado pode pegar para devolver depois da leitura. “Há leitores assíduos e outros esporádicos e o projeto conta com o apoio dos comerciantes que recebem as estantes de livros. O principal objetivo é que sirva de modelo e se multiplique.”

Reportagem é premiada no primeiro ano

Sua Páginas Editora fechou o ano com 13 livros editados, uma marca considerada como muito boa por Leida, “para quem começou sem capital e sem estrutura”. No catálogo, constam três infantis, três técnicos e seis de literatura adulta.

O destaque fica com um livro-reportagem, “Aquilo que Resta de Nós”, de Igor Patrick, que venceu o prêmio de Direitos Humanos da OAB-RS. A obra é um relato jornalístico sobre as mulheres haitianas estupradas por soldados da ONU.

Para o primeiro semestre de 2018, a Páginas Editora já tem seis livros confirmados.

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