O que a Cecília Meireles tem a ver com Einstein?

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Há dias e dias. Uns mais felizes, outros nem tanto. Durante muito tempo uma joia de Cecília Meireles foi a minha mais perfeita tradução. “Tenho fases, como a lua, / Fases de andar escondida, / fases de vir para a rua (…) / Fases que vão e vêm, /no secreto calendário /que um astrólogo arbitrário /inventou para meu uso (…)”.

Quem me conhece bem de pertinho convive com as minhas várias ignorâncias. Gilda diz que é desinteresse. Discordo. Penso que é meio que por preguiça. Se ela está por perto entro numa zona de conforto da qual raramente saio. Gilda é a nossa “irmãzinha faz tudo”. Lê bula de remédio, manual de eletroeletrônico, instala equipamentos, atualiza celulares e acerta a TV. É aquela alma salvadora que compra as passagens de avião mais baratas e deixa o chek in prontinho pra gente. Está por perto e pronta pra agir sempre que dá aquele problema que, meu Deus, só a Nasa pode resolver. A Gilda tem sempre uma solução do tipo “como é que eu não pensei nisso antes?

Mas o que é mesmo que a Gilda tem a ver com a Cecília Meireles além do fato de eu amar as duas? A questão é que essa minha irmã nº 2 estava resolvendo mais um dos meus “problemas” quando se deparou com o meu “mantra by Cecília Meireles.

– Uai, Gisele! Faz tempo que você não recita esse poema.

E num é que é mesmo? A vida dá tantas voltas, mexe tanto com a gente que acabei por me tornar lua de uma só fase. Ando quietinha no meu canto. Virei uma observadora, quase uma voyer do mundo real.

Cansei do que pouco acrescenta. Será que a prateleira anda vazia de sentimentos? E é aí nesse delay entre o mundo real e o mundo ideal que tenho encontrado abrigo na candura do Manoel de Barros, que por sua vez se abrigou, acreditem, no Albert Einsten.

Na obra “Memórias Inventadas – A Terceira Infância” o poeta conta que o encontro com o físico aconteceu quando ele se deu conta de que os eruditos nas suas altas abstrações se esqueciam das coisas simples da terra.

“Foi aí que encontrei Einstein (ele mesmo — o Alberto Einstein). Que me ensinou esta frase: A imaginação é mais importante do que o saber. Fiquei alcandorado! E fiz uma brincadeira. Botei um pouco de inocência na erudição. Deu certo. Meu olho começou a ver de novo as pobres coisas do chão mijadas de orvalho. E vi as borboletas.

E meditei sobre as borboletas. Vi que elas dominam o mais leve sem precisar de ter motor nenhum no corpo. (Essa engenharia de Deus!) E vi que elas podem pousar nas flores e nas pedras sem magoar as próprias asas. E vi que o homem não tem soberania nem pra ser um bem-te-vi”.

Pois, é ! Vem mais chuva por aí. Coisa boa, né?

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