Boloterapia: receita para dias imprecisos

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Um dos deliciosos bolos feitos pela especialista Gisele Bicalho. Foto - Arquivo pessoal
Um dos deliciosos bolos feitos pela especialista Gisele Bicalho. Foto - Arquivo pessoal

“Esses são mesmo tempos difíceis para os sonhadores.” A frase, famosa, obviamente, não é minha. Não sei a autoria, mas virou hit.

A verdade é que, sonhador ou pragmático, cada um se vira como pode. Ninguém, nesses tempos nebulosos, desconhece que “navegar é preciso; viver não é preciso”. A propósito, verso que nós, amantes da boa literatura, atribuímos a Fernando Pessoa. Os historiadores discordam. Li que o poeta português inspirou-se em Petrarca, poeta italiano que viveu no século XIV. Esse, por sua vez, inspirou-se em Pompeu, um general romano que viveu no século I a.c. Para estimular marinheiros receosos a se aventurar em alto mar, o general dizia: “Navigare necesse, vivere non est necesse.”

Hoje, para enfrentar o mar revolto há os que cantam, outros que escrevem. Há até aqueles que até – acredite – fazem faxina à exaustão. Limpam, lavam e passam até seus braços pedirem para parar. Ihh, acabei de plagiar o Chacal que, no caso, dança.

“Vai ter uma festa
que eu vou dançar
até o sapato pedir pra parar.

aí eu paro
tiro o sapato
e danço o resto da vida.”

Eu faço bolos. Muitos. Há quem não aguente mais. É bolo disso, bolo daquilo. Eu se fosse você experimentava essa magia também. A gente abstrai e também se diverte naquele mede, pesa, seleciona os ingredientes, mexe a massa, põe pra assar, sente o perfume. Depois se deleita com os “huummmms” e “aiiiiissss”.

Acredite na boloterapia. É um santo remédio. Pra ajudar meu lado fada madrinha seguem algumas dicas pra você fazer um bolo bem fofinho, úmido e delicioso.

Use sempre produtos de qualidade. Nunca se esqueça de conferir a validade. Quer um exemplo? Fermento vencido é um desastre. Bolo solado na certa.

Outra dica muito importante: use sempre ingredientes em temperatura ambiente. Nada congelado ou gelado demais. Sua massa vai desandar. Acredite.

Forno sempre pré-aquecido a 180 graus. Ligue cinco minutos antes de levar o bolo para assar.

Agora, se o seu bolo sempre sola, afunda no meio, gruda na forma, fica duro que nem pedra ou esfarela, não se desespere. Pra tudo há solução.

Bolo que sola é porque a massa foi pouca. Nada menos que a metade da forma. Agora, se o seu bolo sempre afunda no meio, o jeito é você segurar a ansiedade. Não abra a porta do forno antes da hora. Assim que ele perfumar a cozinha e ficar dourado, aí, sim. Esse é o momento de enfiar o palito. Se sair limpo. Viva. Ficou pronto.

Se o bolo grudou na forma, você não untou direito. Passe manteiga ou margarina e polvilhe farinha por cima. Sacuda bem e depois jogue o excesso fora. Forma pronta pra ser usada. Os mais experientes usam desmoldantes. Mas aí já é coisa pra confeiteiro.

Agora, se ficou duro demais é porque você bateu a massa além da conta, ativando o glúten. A dica aqui é bater a massa na medida. Nem mais, nem menos. E se o bolo estrelou é porque você usou muito fermento. A medida é uma colher de sopa. Não achou a colher, use a tampinha da embalagem. É tiro e queda.

Ah, só pra lembrar: coragem é substantivo feminino. Vá em frente porque atrás vem gente.

3 COMENTÁRIOS

  1. Eu estou amando fazer bolos! Realmente é uma terapia.Principalmente quando temos pessoas para aprecia-los. Bom demais este texto….

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