ONU premia brasileira que inventou purificador de água

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A jovem baiana Anna Luisa ao lado do seu invento, o Aqualuz, que usa radiação solar para deixar água de chuva potável.
A jovem baiana Anna Luisa ao lado do seu invento, o Aqualuz, que usa radiação solar para deixar água de chuva potável.

Anna Luisa Beserra, uma jovem baiana de 21 anos, inventou o Aqualuz, um dispositivo simples que que é capaz de tornar a água da chuva potável usando radiação solar. Seu invento recebeu o Prêmio Jovens Campeões da Terra, concedido pela ONU.

O presidente Jair Bolsonaro deverá abrir no próximo dia 24 a Assembleia Geral das Nações Unidas, mas quem promete brilhar em Nova York é outra brasileira: Anna Luisa Beserra, uma jovem baiana de 21 anos.

Ela vai receber na cidade, no dia 26, o Prêmio Jovens Campeões da Terra, concedido anualmente pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente a jovens ambientalistas, entre 18 e 30 anos de idade, por suas ideias e inventos em benefício do meio ambiente.

Formada em biotecnologia pela Universidade Federal da Bahia, Anna teve a ideia de trabalhar no dispositivo para ajudar milhares de famílias que moram no semiárido brasileiro e convivem com a escassez de água potável. E conseguiu criar um purificador de água que usa a radiação solar, que ela batizou de Aqualuz.

Segundo dados do IBGE, cerca de 22,5 milhões de pessoas vivem nessa região do país, em mais de 1.100 municípios, e aproximadamente 6,6 milhões não têm rede de água em casa.

Dispositivo simples

O dispositivo inventado por Anna é simples. Constitui-se de um recipiente com uma tampa de vidro, que é colocado sobre a caixa d´água que capta a água da chuva – imprópria para o consumo humano. Essa água é bombeada para o aparelho e em contato com a radiação solar, depois de duas horas de exposição, pode ser consumida. Testes feitos em laboratório confirmaram que a água tratada pelo Aqualuz é, de fato, potável.

Para fabricar o Aqualuz, Anna Beserra montou uma startup e conseguiu um financiamento de um organismo europeu. Além de simples e de baixo custo, dura cerca de 20 anos apenas com limpeza de água e sabão, sem precisar de manutenção externa ou energia elétrica.

Meu propósito é levar o direito básico à água limpa para as comunidades carentes nas áreas rurais”, explica a jovem. “Queremos ajudar a melhorar a vida das pessoas e salvar vidas”, acrescenta. Anna já doou o aparelho para cinco estados nordestinos e espera que ele possa beneficiar milhões de brasileiros que ainda têm dificuldade de encontrar, facilmente, água para beber.

Prêmio de US$ 24 mil

Mas o Aqualuz pode também ser usado em diversos países que enfrentam o mesmo problema do semiárido brasileiro, como os africanos. Segundo dados da ONU, cerca de 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo não têm acesso a água potável.

Anna Luisa vai receber o prêmio com mais seis jovens de outros países da África, América do Norte, América Latina e Caribe, Ásia e Pacífico, Europa e Ásia Ocidental. O prêmio será entregue, no dia 26, em Nova York, durante a Cerimônia dos Campeões da Terra, que vai coincidir com a reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas e a Cúpula de Ação Climática.

Cada um dos vencedores vai receber um financiamento semente de US$ 15 mil (o equivalente a R$ 60 mil), mais US$ 9 mil (cerca de R$ 36 mil) para divulgar sua iniciativa.

No vídeo abaixo, feito pela ONU, Anna Luisa fala um pouco mais sobre sua invenção:

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