Banco de leite humano dá prêmio internacional a brasileiro

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    Ex-aluno de Engenharia de Alimentos da Universidade Federal de Viçosa (UFV), onde também fez mestrado em microbiologia de alimentos, o pesquisador João Aprígio Guerra de Almeida é o ganhador do prêmio Dr. Lee Jong-Wook, um dos mais importantes do mundo.

    Ele vai receber a premiação em razão do seu trabalho à frente da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH), criada em 1998 por iniciativa conjunta do Ministério da Saúde e da Fundação Oswaldo Cruz, que está ajudando a reduzir de forma significativa a mortalidade infantil.

    A Organização Mundial de Saúde (OMS), que é quem concede o prêmio, considerou que o trabalho desenvolvimento pela rede de bancos de leite humano é o que mais tem contribuído para a redução da mortalidade infantil no mundo.

    João Aprígio Guerra de Almeida – Fiocruz/Divulgação

    No Brasil, a rede tem 224 bancos de leite humano e 212 postos de coleta, que integram a rede ibero-americana, da qual fazem parte outros 11 países. “Sinto-me feliz e honrado com o reconhecimento do trabalho que a Rede de Bancos de Leite Humano vem realizando no mundo”, assinala João, ressaltando, contudo, que o trabalho não é individual.

    Por essa razão, ele considera que o prêmio é uma conquista do Sistema Único de Saúde brasileiro e de todos que ali atuam para a construção e manutenção da rede; das redes brasileira e internacional de cooperação e da Fiocruz.

    De leite de vaca para leite humano

    Doutor em Saúde da Mulher e da Criança pelo Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), João conta que decidiu mudar sua trajetória profissional em 1983.

    “Minha linha de pesquisa era em leite de vaca, quando, em 1983, um médico do FunRural me convidou para estudar o leite humano. Naquela época, em que a internet era escassa, ter acesso à informação era bem complicado. Foi então que fui conhecer o banco de leite humano do Instituto Fernandes Figueira, da Fiocruz, e mudei meu estudo para este tema. Fiz minha tese de mestrado sobre a reestruturação do banco de leite humano do instituto”, relembra João Aprígio.

    Os Bancos de Leite Humano têm, entre seus objetivos, a promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. Eles desenvolvem um trabalho para auxiliar as mães no período da amamentação, com profissionais qualificados que também orientam sobre a saúde da criança.

    Somente em 2019, foram mais de um 1,5 milhão de recém-nascidos atendidos, com cerca de 150 mil litros de leite humano pasteurizado com qualidade certificada. O projeto é hoje referência em 32 países, e tem no Brasil o maior complexo de banco de leite humano do mundo.

    João Aprígio vai receber o prêmio em maio, durante uma Assembleia da ONU em Genebra (Suíça).

    Funcionário cuida do estoque da Rede Brasileira de Leite Humano
    Funcionário cuida do estoque da Rede Brasileira de Leite Humano

    Prêmio

    Concedido anualmente desde 2008, o prêmio Dr. Lee Jong Wook reconhece indivíduos, instituições e organizações não governamentais e governamentais que contribuíram com grandes avanços para a saúde pública. Em 2020, foram 11 candidatos ao prêmio, que foram indicados por Estados-membros da OMS e por outros premiados.

    Médico que dá nome ao prêmio, Lee Jong Wook foi o primeiro sul-coreano a ocupar o cargo de diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, entre 2003 e 2006. Com uma carreira que se destacou em prol da vacinação e no combate à tuberculose, ele foi eleito para um mandato de cinco anos, mas morreu em 2006.

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