
Uma iniciativa histórica promete transformar a realidade da agricultura familiar e da preservação cultural nos territórios originários do Brasil. Sob a liderança da presidente Elisangela Lima , foi anunciada a criação do Banco Semente do Agro Indígena Nacional, um projeto estratégico que visa garantir a sustentabilidade, a segurança alimentar e a autonomia econômica das comunidades do país.
O pontapé inicial dessa jornada acontecerá no Mato Grosso, no mês de julho, na aldeia Nyarazul, junto à etnia Kamayurá. O projeto ganha força por meio de uma sólida parceria com o setor privado, contando com o apoio de investidores de peso, entre eles o empresário mineiro Rubens Campos , que acreditou no potencial sustentável e no impacto social da iniciativa.
Liderança Local e Responsabilidade Territorial

Para garantir que o projeto respeite as tradições e a dinâmica de cada povo, a implementação na comunidade Kamayurá estará sob a responsabilidade de duas lideranças da região: Shawne Vilma Sabino Kamayurá e seu marido, o Cacique Wary Kamayurá.
O casal será o elo fundamental para coordenar a gestão das sementes, unindo o conhecimento ancestral de cultivo às novas oportunidades de desenvolvimento trazidas pelo banco de sementes.
”A autonomia dos nossos povos passa pela terra e pelo que dela brota. Proteger e multiplicar nossas sementes é garantir o futuro das próximas gerações”, destaca Shawne Vilma.
O Encontro das Águas: Articulação e Apoio de Peso
A costura dessa grande aliança nacional teve um cenário emblemático. A articulação e o encontro que definiram os rumos do projeto aconteceram na residência de Lili Terena , uma das lideranças indígenas mais respeitadas do cenário atual de Brasília.
Lili Terena, conhecida por sua trajetória de luta e engajamento, abraçou a causa de imediato, atuando na linha de frente do movimento ao lado da presidente Elisangela Lima. Sua participação reforça o espírito de união e intercâmbio entre diferentes etnias — o chamado apoio aos “parentes” —, consolidando uma rede de apoio mútuo para o desenvolvimento indígena.
Com o início dos trabalhos na aldeia Nyarazul, da etnia Kamayurá, o Banco Semente do Agro Indígena Nacional dá o seu primeiro passo para se tornar um modelo de referência em bioeconomia e respeito à identidade originária, unindo tradição, empreendedorismo e preservação ambiental.

Kamaiurá – Quem são?
Os Kamayurá (ou Kamaiurá) são um dos povos indígenas mais emblemáticos e centrais da região do Alto Xingu, localizada no Parque Indígena do Xingu, no norte do estado de Mato Grosso.
Eles pertencem à família linguística Tupi-Guarani e desempenham um papel fundamental na rica dinâmica cultural, social e econômica daquela área, que abriga diversas etnias diferentes convivendo de forma integrada.
O Boas Novas já havia anunciado que a entidade Agro Indígena Nacional, movimento que busca redefinir o papel dos povos indígenas na economia nacional, estava liderando a criação do maior banco de sementes crioulas do país. A iniciativa, encabeçada pela engenheira de alimentos e presidente da entidade, Elisangela Teixeira de Lima, não busca apenas a salvaguarda do patrimônio genético milenar, mas também estabelecer as bases para uma modernização agrícola que garanta autonomia financeira e segurança jurídica para as comunidades indígenas.
Diferente das variedades comerciais modificadas, as sementes crioulas são tesouros genéticos preservados por gerações, adaptadas ao solo e ao clima brasileiro ao longo de séculos.





























