Janeiro Branco: precisamos falar sobre Saúde Mental

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Gordon Johnson - Pixabay
Gordon Johnson - Pixabay

Fim de ano costuma ser, para muitos, momento de passar a limpo o que ficou para trás e projetar o que vem pela frente. Por isso, janeiro foi consagrado, no calendário da saúde, como o mês da saúde mental. Um mês que, simbólica e culturalmente, representa a renovação da esperança em dias melhores.

Criada por psicólogos mineiros em 2014, a campanha Janeiro Branco vem, desde então, ampliando seus horizontes, já tendo grande público em Minas Gerais, São Paulo e mesmo no exterior, como Estados Unidos, Japão e Portugal. Em Belo Horizonte, foi oficialmente incluída no calendário, por projeto de lei aprovado na Câmara Municipal, em outubro de 2018.

O objetivo da campanha é estimular a população a discutir a importância dos cuidados com a saúde mental, em busca de mais qualidade de vida. Mas o que é mesmo saúde mental?

Assim como o conceito de saúde, genericamente considerada, está em constante evolução, também o de saúde mental. Os de minha geração devem se lembrar bem que, durante longos anos, a expressão foi objeto de estigmas e preconceitos, devendo as pessoas evitá-la, para se preservar de maledicências e chacotas, contra si mesmas e contra terceiros. Procurar um psicólogo ou um psiquiatra era coisa de doido, tan-tan ou lelé da cuca.

Mais que a ausência de transtornos mentais e deficiências, saúde mental, como lembra a Organização Mundial de Saúde (OMS), é um estado de bem-estar, que permite ao indivíduo realizar suas próprias habilidades, lidar com as tensões normais da vida, trabalhar de forma produtiva e integrar-se à sociedade, interagindo na comunidade em que se situa.

A partir de tal compreensão, é inescapável atribuir à conjunção de fatores sociais, psicológicos e biológicos a determinação do grau de saúde mental de um indivíduo. As pressões socioeconômicas, por exemplo, são fatores de risco para a saúde mental de pessoas e comunidades, sendo os indicadores de pobreza, incluindo os baixos níveis de escolaridade, a evidência mais clara dessa influência.

Evidentemente, não se podem desconsiderar, como alerta a OMS, os fatores psicológicos, os traços específicos de personalidade e as causas biológicas, como o componente genético, que atua no equilíbrio químico do cérebro. Pensando, contudo, em termos coletivos, a organização ressalta que “uma saúde mental prejudicada também está associada a rápidas mudanças sociais, condições de trabalho estressantes, discriminação de gênero, exclusão social, estilo de vida não saudável, risco de violência, problemas físicos de saúde e violação dos direitos humanos”.

Faz todo o sentido, portanto, o chamamento que os profissionais de saúde mental fazem anualmente à sociedade, de maneira especial, para refletir sobre o assunto.

Este ano, no Brasil, o lema é “Precisamos falar sobre Saúde Mental”, esclarecendo as notas de rodapé que isso significa falar sobre “absolutamente tudo”, como destaca a página do facebook criada pelo movimento Janeiro Branco de BH.

Nada mais adequado para um país que parece ter-se transformado, em 2019, em um verdadeiro manicômio, transportando-nos para o cenário do Inferno de Dante e fazendo crer que temos ainda um longo caminho para atingir o Purgatório e o Paraíso.

PS: a divulgação de eventos específicos está prevista para os próximos dias.

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