“Esquadrão dos anjos” chega para ajudar e comover

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Anjos existem? Se você ler o Esquadrão dos anjos, primeiro livro infantil brasileiro que aborda o processo de transplante de medula óssea em crianças, vai descobrir que sim.

Escrito pela jornalista Nalu Saad e pelo médico hematologista Vanderson Rocha, os anjos foram um recurso lúdico que os autores encontram para abordar um assunto que é extremamente delicado e, quase sempre, doloroso para pacientes, familiares, amigos.

Nalu conta ao Boas Novas que a ideia do livro nasceu meio que por acaso. Jornalista da TV Record Minas, ela teve que produzir uma matéria sobre transplante e o médico Vanderson foi uma das fontes que ela entrevistou. Pouco tempo depois, descobriu que o filho de um amigo, de apenas 6 anos, teria que retomar o tratamento contra um câncer.

Como estava trabalhando em outro livro infantil (que pretende lançar em julho), o amigo da Nalu pediu que ela escrevesse uma história que o ajudasse a explicar ao filho que ele teria que enfrentar um novo calvário.

Para ajudá-la na árdua tarefa, Nalu resolveu perguntar ao médio o que ele costuma falar para as crianças que precisam passar por um tratamento contra um câncer, que costuma ser bastante doloroso, tanto do ponto de vista físico como emocional.

Vanderson Rocha e Nalu Saad, autores do Esquadrão dos anjos. Foto - Divulgação
Vanderson Rocha e Nalu Saad, autores do Esquadrão dos anjos. Foto – Divulgação

“Para cada criança dessas eu falo que é uma guerra de anjos”, respondeu o médico. Nalu sentou no computador e em meia hora escreveu o esboço de um texto, que decidiu enviar ao médio Vanderson para ver se não estava cometendo nenhuma impropriedade.

Verdade, Alegria, Belezura…

Meia hora depois o médico respondeu: “Precisamos fazer algo mais com essa história, que não pode ficar restrita a uma criança”. A criança, no caso, era o filho do amigo, para quem, inicialmente, Nalu mandaria o texto. Essa conversa aconteceu em março do ano passado e, desde então, médico e jornalista começaram a escrever, a quatro mãos, o Esquadrão dos anjos.

Daí nasceu a história de Maria Flor e Pedro Jardim, duas crianças que estão à espera de um transplante de medula óssea e que, nessa árdua travessia, contam com a ajuda de Fominha, Humoreco, Verdade, Alegria, Belezura, Paciência, Soneca e mais um esquadrão de anjinhos que dão as mãos aos personagens para ajudá-los na difícil travessia

Para enriquecer ainda mais o conteúdo, Vanderson e Nalu decidiram ouvir outros especialistas envolvidos no transplante de medula óssea (psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas dentistas, pediatras, oncopediatras, enfermeiras, assistente social). Criaram um grupo de whatsapp e cada um deu sua contribuição.

Pedro Jardim e Maria Flor no traço delicado da ilustradora Iara Rachid. Imagem – Divulgação

Também colaboraram alguns pacientes (crianças), que foram ouvidos pelos autores ou mandaram vídeos, fundamentais, como explica Nalu, na composição do livro e dos personagens. “Ajudou a aproximar a ficção da realidade de quem está nessa espera”, conta a jornalista.

“Os autores transmitem de forma leve, doce e consciente cada etapa do tratamento. A criança se transforma em um ser confiante, pois está amparada por um círculo de amor”, escreve o ator Reynaldo Gianecchin, que assina o prefácio do livro. O ator também passou por um transplante de medula óssea e se curou.

Embora no livro eles sejam ficção, é possível afirmar, sim, que os anjos existem e alguns são de carne e osso. Não é exagero afirmar que é o caso desses profissionais (aí incluídos Nalu e Vanderson) que trabalham para que as crianças que precisam de um transplante de medula tenham esperança de que, primeiro, vão encontrar um doador compatível; e que, conseguindo, vão alcançar a cura.

“Vida pede fantasia”

“A vida pede fantasia em meio a tanta realidade. E essa mensagem de otimismo, esperança e coragem não pode ficar de fora dessa obra inspiradora para quem está na batalha pela vida”, assinala Nalu.

Com ilustração de Iara Rachid, Esquadrão dos anjos será lançado no domingo (24/2), às 16 horas, no Centro Cultural do Banco do Brasil em São Paulo (CCBB-SP). A renda com a venda dos livros será revertida para pesquisa e apoio a pacientes transplantados. A obra sai pela Páginas Editora.

Em Belo Horizonte, a obra poderá ser conhecida no dia 17 de março, no CCBB-BH, durante evento de comemoração dos 40 anos do primeiro transplante de medula óssea realizada no Brasil, feito em Curitiba, em 1979.

Abaixo o leitor pode ver depoimento da esperta garota Sara Sarradi, 10 anos, de Belo Horizonte, que passou por um transplante de medula, em São Paulo, mas já está de volta à capital mineira. O vídeo foi feito pelo médico Vanderson Rocha.h

Os autores

Vanderson Rocha é mineiro de Belo Horizonte, formado em Medicina e Hematologia pela UFMG, com mestrado e doutorado pela universidade de Paris. Atualmente é professor titular e chefe do serviço de Hematologia da USP e coordenador do setor de Transplante de Medula Óssea do Hospital Sírio Libanês. É também professor na Universidade Oxford, para onde viaja a cada 2 meses. Entre os pacientes, é conhecido como Dr. Anjo.

Nalu Saad é jornalista, com pós-graduaçao em Novas Tecnologias da Informação e em Gestão Estratégica da Comunicação, já trabalhou nos principais veículos de comunicação da capital. Atualmente é coordenadora de Rede na Record Minas, onde trabalha na produção de conteúdo para os jornais nacionais da emissora.

Rede de doadores

O Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) existe desde 1993 e hoje é o terceiro maior do mundo, com cerca de 5 milhões doadores, que compõe uma rede mundial de 32 milhões de doadores. A busca de doadores acontece simultaneamente no registro brasileiro e em outros registros do mundo

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, no ano passado foram realizados 355 transplantes de medula óssea (até novembro), por meio de doação não aparentada (ou seja, não foi feita por parentes dos pacientes).

No Brasil, segundo especialistas, o índice de compatibilidade é de uma a cada 50 mil pessoas. Por essa razão, anualmente é feita uma campanha para ampliar a base de doadores e também para atualizar o cadastro das pessoas que se ofereceram para doar. Com os dados atualizados, ele poderá ser encontrado rapidamente em caso de compatibilidade com algum paciente.

Serviço 

O que é – Lançamento do livro Esquadrão dos Anjos
Quando – 24/2/2019
Onde – CCBB-SP – rua Álvares Penteado, 112, Centro Horário – 16 h

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