Para Sempre Chape mostra trajetória de superação

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O documentário Para Sempre Chape está na Netflix

Feriado prolongado é aquele momento perfeito para colocar algumas coisas em dia, como aquela leitura que está atrasada ou assistir ao filme que há tempos você não consegue tempo para encaixar na agenda. Aproveitando essa brecha, sugiro um filme que está fácil de ser acessado e que merece ser acompanhado com carinho pelos fãs de futebol. Estou falando de Para Sempre Chape, disponível no Netflix e um dos destaques da última edição do CineFoot.

A história, claro, remete ao trágico acidente de novembro de 2016, que vitimou 71 pessoas, entre elas praticamente toda a equipe da Chapecoense, que estava chegando em Medellín, na Colômbia, para disputar a final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional.

O filme, dirigido por Luís Ara, foi lançado em agosto deste ano e mostra de forma bem leve e com rico material ilustrativo toda a trajetória da Chapecoense, fundada em 1973 e campeã estadual quatro anos depois, em 1977.

Para quem não se lembra, a Chape disputou a Série A do Brasileirão em 1978 e em 1979, naquela época de competições com quase 100 clubes. Depois, voltaria à elite nacional apenas em 2014, de onde nunca mais saiu — aliás, é um dos raros clubes brasileiros que jamais foi rebaixado para a Série B.

É muito interessante ver a união da cidade de Chapecó em torno do clube, parte realmente integrante da vida dos habitantes. O documentário traz depoimentos preciosos de pessoas ligadas ao clube, como dirigentes, ex-jogadores, funcionários, jornalistas e, como não poderia deixar de ser, dos três atletas que sobreviveram ao desastre: Alan Ruschel, Jakson Follmann e Neto.

Sem exceder na dramatização, o filme emociona em momentos pontuais, quando a memória do acidente que chocou todo o mundo ganha espaço na tela. Depoimentos de familiares, por mais serenos que sejam hoje em dia, sempre mexem com quem vê documentários como esse.

A película também avança ao período de reconstrução da Chapecoense, que surpreendentemente conseguiu uma vaga na Libertadores de 2018 depois de iniciar um ano de 2017 totalmente fragmentada.

Com imagens exclusivas, cenas de bastidores difíceis de serem vistas e vários depoimentos relevantes, Para Sempre Chape merece ser visto por relatar de forma interessante a influência do futebol para uma cidade e sua sociedade e a incrível história de superação, que fez muitos terem simpatia pelo clube catarinense.

Não é fácil ser um clube pequeno no Brasil. E um que, com menos de 50 anos, se mantém na elite do futebol nacional, se recriou depois de um grave acidente e ainda tem um título internacional no currículo, tem que ser respeitado.

Homenagem — parte 2

Na última semana, elogiei o Bahia por ter feito uma homenagem sensacional para as personalidades negras, já falecidas, na partida contra a Chapecoense. O clube de Salvador colocou o nome das figuras de destaque em suas camisas e divulgou, nas redes sociais, detalhes de cada um dos homenageados. A ação teve como objetivo levar todos a refletir sobre a inserção do povo negro na sociedade brasileira.

Como estamos tratando do mês da Consciência Negra, o Bahia não se limitou a apenas essa ação. Na partida do meio desta semana, contra o Ceará, o Tricolor voltou a homenagear personalidades negras. Se, na outra semana, Zumbi dos Palmares, Mãe Menininha do Gantois e Moa ganharam espaço, desta vez os homenageados estão vivinhos da silva, como Gilberto Gil, Riachão e Antônio Pitanga. Parabéns, mais uma vez, Bahia!

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