Startup cria jogos para ajudar na reabilitação de pacientes

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Um dos jogos criados pela 3 D Virtual Care permite ao paciente cozinhar, fazendo uma pizza, por exemplo. Foto - Divulgação

A Startup mineira 3D Virtual Care acaba de colocar no mercado um pacote de jogos virtuais que servem como entretenimento, tanto para crianças com para adultos, mas que têm como principal função ajudar no tratamento de pacientes que precisam de algum tipo de reabilitação física e cognitiva.

Além dos jogos, a empresa criou um sensor que lê, grava e mede os movimentos do paciente, para que o profissional que trabalha com reabilitação possa acompanhar o tratamento do paciente. Outra vantagem do produto é que ele pode ser instalado na casa do usuário e o reabilitador pode acompanhar o resultado das sessões remotamente, do seu escritório.

“Se o paciente estiver em Montes Claros, por exemplo, ele poderá ser monitorado por um reabilitador aqui em Belo Horizonte, como nos recursos da telemedicina”, explica Wellington Teixeira, um dos sócios da 3D. Os produtos desenvolvidos pela startup se enquadram na chamada gameterapia, que utiliza jogos digitais para melhorar a coordenação motora, o equilíbrio, a agilidade, força muscular, ajustes de postura e estímulos cognitivos.

Os sócios Wellington Teixeira e Patrícia Barroso (ao fundo), sócios da 3D Virtual Care. Foto - divulgação
Os sócios Wellington Teixeira e Patrícia Barroso (ao fundo), sócios da startup 3D Virtual Care. Foto – divulgação

Lúdico e interativo

E tudo isso de forma lúdica e interativa, o que também contribui para que o paciente se sinta mais estimulado a praticar os exercícios. Segundo Wellington Teixeira, a ideia de criar os jogos nasceu quase que ao acaso. Jogador de tênis, ele foi obrigado a fazer seções de fisioterapia por conta de uma lesão. Na clínica, ele conheceu uma garotinha de seis anos que fazia, com muito esforço e aos prantos, uma série de exercícios para recuperar movimentos de um dos braços.

Conversando com a dona da clínica, a terapeuta ocupacional Patrícia Barroso, descobriu que a menina tinha caído com uma garrafa que se quebrou e lesionou alguns nervos de um de seus braços. “Fiquei pensando: por que não criar algum tipo de tratamento que fosse menos doloroso, mais lúdico, e que, ao mesmo tempo, ajudasse, de fato, na recuperação de pacientes como aquela garotinha?”, conta Wellington.

O episódio, que aconteceu três anos atrás, coincidiu com um momento na carreira de Wellington, que é engenheiro de software, em que ele estudava a captura de movimentos 3D. Foi quando ele teve a ideia de aliar o seu conhecimento em tecnologia com a experiência da terapeuta educacional Patrícia em reabilitação para criar uma empresa de jogos virtuais, mas com função terapêutica. Nasceu, então, a 3D Virtual Care.

Nova fase

A empresa passou, então, a participar do Fiemg Lab, um programa de aceleração que aproxima startups da indústria mineira para que, juntas, elas criem negócios de sucesso no mercado, contribuindo para a diversificação da economia mineira. No início do ano passado, o produto começou a ser comercializado e já está em dez clínicas de Minas e outros cinco estados (São Paulo, Rio, Bahia, Rio Grande do Sul e Acre).

Agora, o produto entra numa nova fase e começou a ser comercializado também para qualquer pessoa interessada em aliar os jogos com a reabilitação física e cognitiva. “Nas clínicas onde o produto era usado, começamos a perceber que havia um interesse grande, especialmente dos pais, em adquirir os jogos para os seus filhos, para que eles pudessem aliar o tratamento com o divertimento. Então, decidimos fazer uma versão para vender também no varejo”, conta Wellington.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente um bilhão de pessoas em todo o mundo tem algum problema motor. No Brasil, a estimativa é de que 30 milhões de pessoas tenham problemas semelhantes (com maior ou menor gravidade).

Atualmente, a startup a 3 D disponibiliza quatro jogos. Um dos mais populares é o que permite ao jogador preparar uma comida numa cozinha virtual. Ele pode, por exemplo, fazer uma pizza. Ao escolher os ingredientes, picar, preparar a massa, colocar no forno e servir para os convidados, o jogador está, ao mesmo tempo, fazendo os exercícios que vão ajudar na sua recuperação.

Por enquanto, os sensores estão sendo comercializados apenas no site da empresa (www.3dvirtualcare.com). Cada sensor custa R$ 600,00 e o cliente pode assinar um pacote com os jogos, que varia de R$ 80,00 a R$ 100,00 por mês.

 

 

 

 

 

 

 

 

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