Escola estadual de Iapu dá exemplo de sustentabilidade

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Telhado verde em escola de Iapu é um projeto experimental, que a direção agora quer ampliar. Foto - Divulgação

A Escola Estadual Frei Marcelino de Milão, que fica em Iapu, cidade com cerca de 11 mil habitantes no Vale do Aço, está dando exemplo de sustentabilidade. Desde janeiro deste ano a escola ganhou um telhado verde, que foi instalado  na recepção do prédio, e um biodigestor para tratamento do esgoto e produção de gás a ser usado na cantina.  As duas iniciativas, de acordo com a secretaria de Estado de Educação, são inéditas na rede estadual de ensino de Minas Gerais.

Com o sucesso da experiência piloto do telhado verde, que faz a captação da água da chuva para ser usada para regar o jardim, a escola está propondo à  Copasa uma parceria para ampliar o projeto, o que aumentaria a possibilidade de captação de água. De acordo com o diretor, a ideia nasceu porque Iapu está passando pela sua pior crise hídrica dos últimos anos, o que afetou a escola.

Para abastecer a escola, onde estudam mil alunos, caminhões pipa da Copasa enchem os reservatórios da escola três vezes por semana. “Se ampliássemos a área do telhado verde, conseguiríamos aumentar o volume de captação e essa água poderia ser utilizada nos banheiros, na limpeza, nos nossos jardins, gerando uma grande economia, além do ganho ambiental, pois estaríamos usando uma água que é descartada”, diz o professor Jaderson.

Para a instalação do telhado verde na recepção, numa área de cerca de 6m2, foram removidas as telhas, que foram substituídas por um jardim onde foi plantada uma espécie chamada na região de meio-dia, que brilha com mais intensidade quanto mais exposta ao sol e produz flores de várias cores. Com o telhado, a temperatura da recepção, durante os dias mais quentes, fica com a temperatura mais agradável.

Ampliar para economizar

Escola construiu um biodigestor para gerar gás a ser usado na cantina para o preparo das refeições. Foto - Divulgação
Escola construiu um biodigestor para gerar gás a ser usado na cantina para o preparo das refeições. Foto – Divulgação

Por não ter verba para executar o projeto da ampliação do telhado verde, a escola busca a parceria com a Copasa, que tem interesse em estimular o uso de alternativas para economia de água. A proposta, conforme Jáderson, está sendo analisada pela direção da companhia de água.

Tanto a ideia do telhado verde como a do biodigestor nasceu, como conta o diretor, após a participação da escola na segunda edição do Curso de Férias para Educadores Populares, realizado em janeiro deste ano pela Diocese de Caratinga, em parceria com a Superintendência Regional de Ensino.

A proposta do curso, direcionado a professores, educadores, estudantes, agentes pastorais, sindicalistas, agricultores familiares, entre outros, era desenvolver uma ação concreta que pudesse mostrar que é possível estabelecer um modo de vida mais saudável. Surgiram , então, as ideias de construção do biodigestor, para a produção de gás, e do telhado verde, para captação de água.

Inicialmente, o biodigestor seria construído na igreja da cidade, que já tem um conjunto de placas fotovoltaicas e produz toda a energia de que necessita. Quando o projeto estava para ser executado chegou-se à conclusão de que a igreja não tinha espaço para abrigar a sua construção. Os organizadores do curso propuseram, então, que ele fosse construído na escola estadual.

Conforme o diretor Jaderson Pereira, o biodigestor, que foi inaugurado em março, faz a coleta e o tratamento do esgoto e o gás gerado seria usado na cozinha da cantina, que gasta 13 botijões de gás de 13 quilos por semana. Por enquanto, a produção do gás ainda não é suficiente para que ele seja utilizado na cozinha, mas ele está sendo usado na iluminação de um espaço de convivência que está sendo construído na escola.

Gincana do bem

A Escola Estadual Frei Marcelino de Milão realiza, com frequência, atividades de educação ambiental ou ações sociais, que envolvem toda a comunidade escolar (alunos, pais, professores, servidores). A última delas foi uma espécie de gincana, em que os alunos tinham algumas tarefas a cumprir.

Em uma delas, as equipes foram desafiadas a levar para a escola óleo de cozinha já usado (que costuma ser jogado nas pias, com grandes danos ao meio ambiente). Ao longo de uma semana, a escola conseguiu arrecadar 4 mil litros de óleo. O material foi recolhido por uma empresa de uma cidade vizinha que faz sabão e, em troca, a escola recebeu material de limpeza.

Numa outra tarefa, que recebeu o nome de Lacre do Bem, os alunos tinham que levar garrafas pets de dois litros cheias de lacres de latinhas de refrigerante, cerveja ou sucos. Foram recolhidas 80 garrafas, que foram trocadas por duas cadeiras de rodas, que foram doadas para o Asilo Bom Pastor.

Com a Feira do Desapego, outra atividade da gincana, os alunos foram convidados a doar roupas usadas, brinquedos, maquiagem e acessórios, como colares, brincos, pulseiras, que seriam distribuídos, num grande bazar na escola, para as pessoas carentes. Os alunos receberam os convites, que foram repassados aos familiares, e que compareceu podia levar para casa o que quisessem ou gostassem. “A maquiagem e os acessórios era para ajudar a melhorar a autoestima das pessoas”, explica o diretor.

Foi também organizado na mesma gincana a Feira Verde. Os alunos deveriam levar mudas de plantas (frutíferas, ornamentais) para a escola para trocar com os colegas. E cada um assumia o compromisso de plantar a muda que recebia. Como a escola tem cerca de mil alunos, o diretor estima que foram plantadas mais de mil, uma vez que muitos alunos levaram mais de uma muda.

Essas iniciativas, conforme Jáderson Pereira, que é diretor da escola desde 2004, será realizadas com frequência.

 

 

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