O delicioso pão nosso de cada dia

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Pão artesanal feito em casa pela jornalista Gisele Bicalho. foto - arquivo pessoal
Pão artesanal feito em casa pela jornalista Gisele Bicalho. foto - arquivo pessoal

Quem gosta de pão aí? Todo mundo, né! Não há quem não ame essa mistura perfeita de farinha de trigo, fermento, água e sal.  

E isso não é de hoje. O pão tem mais 12 mil anos.  Já foi até salário. Os egípcios pagavam aos camponeses com três pães e dois cântaros de cerveja por dia de trabalho. Na Roma antiga o pão fazia parte do jogo politico. Panis et circenses (pão e circo). Ihhh, melhor deixar pra lá.

Ah, e não dá pra esquecer que na França, quando faltou pão na mesa, explodiu a Revolução Francesa. Isso foi em 1789.

Por falar na França, ando encantada com um livro despretensioso. “Paris – um ano na Cidade Luz (e do chocolate amargo)” tem me deixado com água na boca. Um dos protagonistas, é claro, é o pão. O chocolate também não faz feio. Tanto que figura até no título. Mas o pão … ah, o pão!

Esqueça tudo o que já comeu. Inclusive o nosso prosaico pão francês, que, diga-se de passagem, de francês não tem nada. Está no grupo das iguarias tupiniquins que nunca existiram nos países aos quais lhes atribuem a origem. Por exemplo, na Holanda ninguém conhece a nossa Torta Holandesa. E, na Alemanha, nunca ouviram falar na nossa Torta Alemã. O pão francês nosso de cada dia e as tortas foram criadas aqui mesmo, na Terra Brasilis.

Mas voltando às boulangeries francesas, que tal um boule ao levain redondo e rústico? Ou, quem sabe, um pain bücheron sovado e assado até que a crosta atinja a perfeição? E a baguette aux céréales com sua deliciosa mistura de gergelim, sementes de girassol, milhete e papoulas? Afinal, o que escolher? Amy Thomas, autora do livro e uma viciada em pães e chocolates, passou por esse dilema.

Dúvida vai, dúvida vem, até que fez-se a luz:

  • Um demi-baguette, s’il vou plait!

E aí vem a melhor parte: Amy passa a descrever, tim-tim por tim-tim a sua viagem sensorial:

  • Na calçada, no ar úmido de abril, meu sorriso apareceu novamente. Através do fino papel da padaria podia sentir o calor da baguete, o que a tornava irresistivelmente macia na minha mão. Tinha decidido que aquele era um presente de Deus para o mundo: pão francês recém saído do forno. Parti um pedaço, deixando uma trilha de migalhas atrás de mim e o mastiguei com prazer. A casca resistiu por um momento e então a parte externa crocante revelou o interior denso e espinhoso. Como quatro ingredientes simples – farinha, água, fermento e sal – podiam produzir algo tão extraordinário? Parei na calçada semicerrando os olhos conforme mastigava bem lentamente, saboreando a baguete.

Não vou ficar aqui dando spoillers do livro da Amy . Tá bom. Só mais um. Vocês precisam saber que em poucas semanas a nossa heroína já tinha explorado todas as boulangeries e pâtisseries perto da sua casa, o que fez dela uma obsecada pelo pain aux da rainsins da Stohrer. Essa não é apenas a padaria mais bonita e charmosa da rue Montorgueil. O estabelecimento também tem raízes ilustres. Foi inaugurada pelo pâtissier do rei Luis XV, Nicolas Stohrer, em 1730.

Histórias à parte, a verdade é que ao ler o livro da Amy me bateu uma vontade enorme de devorar um pão bem fofinho, perfumado, com uma casquinha beeem crocante. Huuum!!!

Mas como em Beagá o mar não tá pra peixe, nessa altura do campeonato uma incursão na Cum Panio, no Verdemar ou na Casa Bonomi está descartada.

Mas vá pedir que o corpo entenda sobre distanciamento social e sobre outras cositas mais. Verdade seja dita, o desejo não passou. Aí, sa marche! O jeito foi desentocar a velha máquina de pão daqui de casa, misturar os ingredientes e esperar que a mágica acontecesse.

Voilà! Pão delicioso para o café da tarde, jantar e café da manhã. Três chic.

5 COMENTÁRIOS

  1. Vou acabar engordando na quarentena de isolamento social lendo as colunas da Gisele. Dá água na boca e vontade de degustar. Não sei se vou de pão de francês, croissant ou torta alemã. Tem uma boulangerie aqui em frente em Brasilia. Acho que vou por a máscara e pegar um pão crocante e fresquinho. Na pior das hipóteses, fazemos como Maria Antonieta, lançamos brioches para o povo.

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