UFMG cria nova arma para combater mosquito da dengue

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    UFMG desenvolve nova tecnologia que vai ajudar a combater o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika
    UFMG desenvolve nova tecnologia que vai ajudar a combater o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika

    Apesar de estarmos ainda na primavera, o clima atual, com altas temperaturas e incidência de chuvas, é bastante propício para a proliferação do mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya, o
    Aedes aegypti,

    Na batalha permanente contra esse mosquitinho capaz de provocar até a morte, vem da UFMG uma nova descoberta para ajudar no seu combate. O campus Saúde, em parceria com o Departamento de Química, criou uma nova tecnologia, de baixíssimo custo, que é capaz de combater larvas e ovos do Aedes mesmo em águas muito sujas, como as de esgoto.

    Trata-se de uma pastilha feita com tijolo de cerâmica tratado quimicamente, desenvolvida por uma equipe coordenada pelo professor Jadson Belchior, que se se mostrou muito eficaz em locais inóspitos, como bueiros e ralos, onde não há luz ou água limpa. No campus saúde, onde o larvicida foi aplicado em fase de teste, houve uma redução de 80% da população do mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika.

    A tecnologia foi desenvolvida para atender uma demanda do campus, que tem os bueiros como principal foco de proliferação do mosquito, embora o
    Aedes aegypti costume depositar ovos em recipientes com água limpa
    . “Os bueiros acumulam água parada e nutrientes gerados por folhas secas. E  é justamente disso que os ovos precisam para virar larvas”, explicou o Jadson Belchior ao Boletim de notícias da UFMG. 

    Como funciona

    Pastilha de tijolo tratada quimicamente é nova arma para combater mosquito da dengue . Foto Raphaella Dias
    Pastilha de tijolo tratada quimicamente é nova arma para combater mosquito da dengue . Foto Raphaella Dias

    As pastilhas têm como suporte uma cerâmica impregnada com moléculas nocivas à larva, mas com nível de concentração que não faz mal ao ser humano. O material larvicida é liberado de forma lenta e controlada depois de entrar em contato com a água, por cerca de seis a sete semanas, o que inibe o desenvolvimento dos ovos na fase larvária, impedindo-os de eclodir ou matando as possíveis larvas que surgirem.

    Dessa forma, o processo reduz drasticamente a proliferação dos mosquitos em locais inóspitos como bueiros, bocas de lobo, sifões de pias e ralos. De acordo com o professor Belchior, a tecnologia também consegue eliminar larvas e ovos de outros mosquitos, como o vetor da malária e febre amarela, e inibe a proliferação de escorpiões e baratas, afastando-os dos locais onde o larvicida é depositado. 

    O professor ainda conta que a pastilha foi criada com base em outra tecnologia também desenvolvida sob sua coordenação, em parceria com a Vértica Tecnologia e Inovação Ltda, já patenteada pela UFMG. “Reestruturamos o projeto que tínhamos de tijolos para água potável e com substância atóxica e fotocatalítica, isto é, ativada pela radiação solar. Com base nessa experiência, propusemos outro dispositivo de liberação controlada e que não precisa de luz, apenas da presença de água para ser ativado”, informa Belchior.

    Sachês com cerca de quatro pastilhas cada foram instalados em 85 bueiros próximos a lâminas de água ou em contato direto com elas. Segundo o professor, se o nível de água sobe, alcança o sachê e o material larvicida começa a atuar. “Não importa a quantidade de água, o material libera o princípio ativo da substância nocivo à larva”, assegura o professor. E como se essa já não fosse uma notícia ótima, há também outra excelente: cada sachê tem custo aproximado de R$ 1,00. Isso mesmo, um real.


    Monitoramento e eficácia

    Bueiros no campus Saúde são monitorados semanalmente
    Bueiros no campus Saúde são monitorados semanalmente – Foto Carol Morena/Medicina UFMG

    Para garantir a eficácia do novo dispositivo, a equipe do campus Saúde faz monitoramento semanal por meio da coleta de água parada dos bueiros ou com fluxo contínuo proveniente de minas. “Em cerca de seis semanas, trocamos todos os materiais”, informa o professor Jadson Belchior. 

    Os dados de monitoramento de mosquitos demonstram que o maior número de vetores capturados coincide com o período em que o larvicida tem sua eficácia reduzida. Ou seja, se a ação do dispositivo diminuiu, a proliferação do Aedes aumenta.

    No trabalho feito pelo professor Belchior e sua equipe, constatou-se que no período chuvoso, de janeiro a março, o número de mosquitos caiu de 64 para 13 no campus Saúde, nas semanas seguintes à troca de material. “É muito mais fácil combater o ovo e a larva, porque sabemos onde encontrá-los, do que tentar eliminar depois que se transformam em mosquitos e podem voar para qualquer lugar”, sustenta o professor Jadson Belchior. 

    Com Boletim UFMG

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