E você, tem cheiro do que?

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Sou daquelas que ama revistas de bordo. Lembro especialmente de uma que me salvou do tédio em uma viagem longa. Li a publicação de ponta a ponta.  Volta e meia estou em Brasília. Numa dessas idas e vindas, a minha sobrinha disse:

“Tia, você tem cheiro de férias.”

Explicações dadas, estou me achando. Ganhei o fim de semana. Como a Sofia só me encontra em momentos felizes (férias, festas, finais de semana, comemorações) associou o meu cheiro a bons momentos.

O pessoal da publicidade já descobriu esse pulo do gato faz tempo: o caminho é criar “uma memória olfativa” e impactar pelo sentido do olfato. Estudos científicos mostram que os seres humanos lembram mais de 35% do que cheiram, acima de 5% do que veem e 2% do que ouvem. Nossa memória é capaz de lembrar mais de 10 mil aromas diferentes e, no entanto, reconhece apenas 200 cores.

Mas o que tem a ver o meu “cheiro de férias” com a revista “Vamos” da Latam (olha a mídia espontânea aqui, gente!!!)?  Muita coisa. Coincidência ou não, eu me apaixonei pelo roteiro proposto pela matéria de “Paris pelo nariz”.

No texto, o perfumista brasileiro Dênis Pagani mostra um caminho pelos vários aromas da capital francesa. Feiras como a La Place Maubert exalam aromas de frutas frescas; se quiser provar um pão delicioso, visite a Du Pain et des Idées. Há também os que prefiram os queijos franceses. Aí o roteiro passa pela beira do Canal Saint-Martin.

Uai, e os famosos perfumes franceses? Cadê o Chanel nº 5? Calma! As aventuras olfativas não ficam de fora desse roteiro surpreendente. Pagani revela que um bom ponto de partida para esse percurso cheiroso é a loja de Serge Lutens, dentro do Palais Royal.

No coração do descolado bairro de Marais o autor garante que você vai se surpreender com uma verdadeira galeria da Histories des Perfums.  A reportagem também lhe convida a conhecer uma biblioteca de perfumes, que é a Osmotheque, em Versailles. Ali está exposta uma coleção de quatro mil perfumes com suas fórmulas originais.

Para provar aromas no paladar, vale uma passadinha na loja Épices Rollinger. Ali, uma parede cheia de vidrinhos abriga uma coleção de especiarias do chef Olivier Roellinger. Vão de pimentas da Ásia e África até a Fleur de Brume e à baunilha.

Vale, segundo o autor da reportagem, visitar também o Butte aux Cailles. É lá que fica a Les Abeilles, loja especializada em abelhas, onde você vai encontrar de sabonetes a velas. O ponto alto é a variedade de tipos de mel, entre eles, o mais parisiense possível, produzido por abelhas que vivem espalhadas pelos telhados da cidade.

Dênis Pagani conclui que, assim como as abelhas, nós, os simples mortais, podemos, apurando com um pouco o instinto, encontrar caminhos para os melhores aromas de Paris. Em Brasília, segundo a minha sobrinha, o caminho do prazer está no meu cangote. Descubra o seu e aproveite.

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