Impressão de pele em 3D, novidade para tratar feridas

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Impressão de pele em 3D promete revolucionar o tratamento de feridas mais graves. Foto - In Situ - Divulgação
Impressão de pele em 3D promete revolucionar o tratamento de feridas mais graves. Fotos - In Situ - Divulgação

Curar uma ferida nem sempre é uma tarefa fácil. Por vezes, torna-se uma batalha prolongada, sofrida e cara.

Sou testemunha disto. Em 2016, minha mãe preta teve que engessar a perna e, quando retirou o gesso, viu um buraco se abrir acima do tornozelo. Foi um ano de agruras, com dores terríveis, curativos e mais curativos. No ano anterior, ela havia enfrentado diversas sessões de quimioterapia, para tratar de um linfoma. Em nenhum momento, teve dúvidas em afirmar que, comparado ao drama da ferida, tirou o câncer de letra.

Este tipo de sofrimento pode estar mais perto de ser minimizado. Encontra-se em fase de testes, no Brasil, um biocurativo que promete revolucionar o tratamento de feridas que não foram resolvidas pelos métodos convencionais.  

A inovação é resultado de um trabalho de pesquisa realizado em Ribeirão Preto, uma parceria entre a startup In Situ, o Hemocentro e o Hospital das Clínicas da USP. O trabalho, desenvolvido por pesquisadores e médicos destas instituições, é coordenado pela cientista e bióloga Carolina Caliari, responsável pela startup, mestra e doutora em Imunologia. O próximo passo é a liberação, pela Anvisa e pelo Comitê de Ética da Faculdade de Medicina da USP, do teste em humanos, tendo já sido exitosa a experiência em ratos e in vitro.

A bióloga e cientista Carolina Caliari, que coordena pesquisa na USP Ribeirão Preto.
A bióloga e cientista Carolina Caliari, que coordena pesquisa na USP Ribeirão Preto.

O método consiste em imprimir biocurativos, a partir de células tronco, em impressora 3 D. A bióloga conta que as células tronco ajudam as células da pele a acelerar o processo de cicatrização. Trata-se de um tipo de célula que pode ser utilizada por outras pessoas, não apenas por aquela da qual foi extraída. Utilizar a célula do próprio paciente, segundo ela, poderia retardar o processo, dado o tempo necessário para o cultivo de células em laboratório.

Carolina não tem ideia do custo do produto, se liberado para o mercado, mas está certa de que o preço de venda permitirá uma economia muito grande para os beneficiários. Mais importante, contudo, é a perspectiva de redução da dor dos pacientes, antes mesmo da conclusão do processo de cicatrização.

A pesquisa é financiada pelo Programa “Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas” (Pipe), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A expectativa é que o teste em humanos seja liberado nos próximos meses, já que, em dezembro de 2018, a Anvisa aprovou os tratamentos chamados “Terapias Avançadas”, que incluem os produtos biológicos obtidos a partir de células e tecidos humanos submetidos a um processo de fabricação.

Um belo exemplo, que demonstra a importância fundamental da pesquisa científica em nosso país, ameaçada pelo corte de verbas promovido este ano.

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