Cinco boas ideias que estão mudando o mundo

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    Aquecimento global, guerras, xenofobia, opressão: pode até parecer que o futuro do nosso planeta azul será distópico. Na ficção, pelo menos, não faltam exemplos perturbadores que apontam para um lugar sombrio — o sucesso de séries como “The Handmaid’s Tale” e “Black Mirror” é a prova de que andamos olhando muito mais para a metade vazia do copo. Na vida real, porém, há quem acredite que outro futuro é possível — e que a metade cheia também merece um lugar ao sol. Há boas ideias sendo semeadas pelo mundo.

    Sim, estamos falando de iniciativas, projetos e ações de quem trabalha para melhorar o mundo. São ideias que estão transformando o planeta em um lugar muito mais legal para se viver. Elas permeiam desde o campo da educação até a construção civil, sempre com um pé na tecnologia e outro na sustentabilidade — e o pensamento, claro, lá no nosso futuro, rumo a uma sociedade com novos valores.

    Foi pensando nisso que montamos esta lista com algumas dessas boas novas, desenvolvidas no Brasil (aqui mesmo, em Minas!) e ao redor do mundo, para servir de lição e inspiração para fazermos, também, nossa parte. Vamos lá?

    Telhado verde

    A ideia é muito simples e, por isso mesmo, funcional: troca-se a paisagem cinza do concreto do topo de edifícios — em geral, áreas quase nada aproveitadas — por uma área verde, ao cobri-los com vegetação. O conceito nem é tão novidade assim e, infelizmente, não serve para qualquer tipo de construção, mas está na pauta atualíssima de quem se preocupa com a sustentabilidade.

    Na verdade, desde os famosos Jardins Suspensos da Babilônia já se usava cobrir terraços com plantas ornamentais, tendência que também é aproveitada para fins diversos, como plantar hortaliças e outros alimentos (e as hortas urbanas são nosso próximo tópico, não perca!).

    Topo do prédio da Prefeitura de Toronto (Canadá), que usa os conceitos de telhado verde

    Ao plantar-se diversas espécies da nossa flora no topo de prédios, a primeira grande vantagem é melhorar a qualidade do ar que respiramos, pois os vegetais absorvem os gases tóxicos presentes em suspensão em qualquer grande cidade. Também é função do telhado verde o combate às ilhas de calor, pois os raios de sol deixam de ser refletidos no concreto duro. Ah, eles ainda aperfeiçoam o isolamento acústico de toda a construção.

    Quer mais? Ora, com um terraço verdinho e bem cuidado, ganha-se um espaço para o relaxamento – um belo convite para quando um descanso é providencial. Já imaginou ter praticamente uma praça particular logo acima do prédio do seu escritório para um intervalo? Pois esse é o verdadeiro trunfo para quem investe no telhado verde: qualidade de vida.

    Hortas urbanas

    Na esteira do telhado verde, as hortas urbanas prometem trazer um pouco mais de saúde e de contato com a terra em meio à selva de pedra. Em geral, tudo começa com um irresistível vaso de tempero — salsinha, cebolinha, manjericão —, coringas fresquinhos e sempre à mão para qualquer refeição.

    A relação se torna um pouco mais séria quando parte-se para itens como tomates e cebolas, que já exigem um pouco mais de espaço e cuidado. Claro, chega-se às últimas consequências quando o ímpeto de plantar alcança grandes terrenos no meio da cidade.

    E tem gente plantando de tudo por aí: alface, brócolis, morangos, abóboras, além de verduras conhecidas como PANCs (plantas alimentícias não convencionais), como azedinha e peixinho. Belo Horizonte, inclusive, foi apontada como referência mundial de agricultura urbana pela Organização das Nações Unidas em 2014.

    Neste link, é possível encontrar um mapa das hortas urbanas da capital, realizado de forma colaborativa por alunos do Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix.

    Neste ano, aliás, a cidade deu um salto em profissionalização: evoluiu da hortinha do quintal para a fazenda urbana: o primeiro modelo comercial da América Latina já está em funcionamento em um anexo do Boulevard Shopping, localizado no bairro Santa Efigênia (região leste). Por lá, são comercializados pela start-up BeGreen produtos orgânicos plantados nas estufas do local, além de insumos para quem quer ter uma horta em casa.

    Fazenda urbana montada no Shopping Boulevard, em Belo Horizonte

    Novas formas de consumo

     Mudar a nossa relação com o consumismo desenfreado e sobretudo com o desperdício tem sido um grande ponto de discussão sobre o futuro do planeta — e iniciativas em outros países parecem indicar alternativas muito bem-vindas. Da Alemanha, por exemplo, vem o modelo de um supermercado sem embalagens descartáveis. Na Suécia, por sua vez, há um shopping que só vende produtos reciclados. Vamos conhecê-los?

    Pare e pense: por que nossas pastas de dente vêm em caixinhas de papelão se a embalagem do produto já seria o suficiente para manter e comercializar o produto?

    Uma start-up alemã chamada Original Unverpackt radicalizou esse raciocínio e decidiu, simplesmente, abolir as embalagens — sim, todas elas! Isso é possível porque, neste modelo, o cliente leva suas próprias embalagens para carregar seus produtos: alimentos orgânicos, produtos de limpeza e higiene oferecidos a granel, vendidos por peso. Ah, caso o cliente esqueça os recipientes, são oferecidas a ele sacolas de papel reciclado ou até mesmo o empréstimo de embalagens.

    O complexo comercial ReTuna, na Suécia, que vende somente produtos feitos com materiais reciclados

    Já a experiência sueca é baseada no conceito de “economia circular”, pregando o consumo responsável. A cerca de 100 km da capital Estocolmo, na cidade de Eskilstuna, o complexo ReTuna Återbruksgalleria reaproveita materiais descartados e doações de produtos velhos para a criação de novos itens, desde roupas, equipamentos como máquinas velhas, computadores, brinquedos e até móveis e pequenos objetos de decoração são contemplados.

    Por falar neste país, temos muito o que aprender com ele: na Suécia, 99% do lixo produzido pelas casas é reaproveitado (em grande parte, para a produção de energia).

    Educação por projeto

     Revolucionar o modelo da educação também é pensar no futuro do planeta. A Finlândia, país reconhecido por oferecer uma das melhores educações do mundo, nem precisava, mas mudou a forma de ensinar a seus alunos. O país é pioneiro no que ficou conhecido como “problem-based learning” e “project-based learning” (ensino baseado em problemas ou projetos).

    Nessas metodologias, o ponto de partida do processo de aprendizagem é a solução de problemas — sejam eles fictícios ou reais enfrentados pela comunidade. Em busca das soluções, os alunos aprendem na prática, com uso de alta tecnologia e sem o envolvimento direto do professor, que troca de posição e passa a ser um facilitador, responsável por gerir os planos e lidar com eventuais erros.

    Nova sala de aula de escola na Finlândia, com modelo de educação inovador

    Há, inclusive, cursos superiores baseados integralmente nestes processos metodológicos, o que torna os alunos muito mais aptos a encararem os problemas reais do mercado de trabalho. Há quem encontre soluções tão boas que partem para o empreendedorismo: muitos estudantes unem-se e acabam montando suas empresas ainda na faculdade, por serem estimulados por esse método.

    Cidades Inteligentes

    Imagine-se no ponto de ônibus à espera do transporte público — e, com uma olhadela no smartphone, descobre onde está o veículo, qual a lotação dele, a disponibilidade de lugares e a previsão do horário que ele vai passar no seu ponto. Gostou? Essa é apenas uma das aplicações possíveis com o conceito de “cidades inteligentes”, o que certamente vai melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.

    Além do transporte público e do controle de tráfego em tempo real, de acordo com a demanda, outros serviços são contemplados — como a possibilidade de portar, no celular, uma identidade que irá controlar a entrada em locais como hospitais e até aplicativos de pagamento para evitar filas do caixa no supermercado e ter a compra debitada diretamente no seu cartão. Todos esses sistemas serão interligados, tudo em busca da máxima otimização de recursos.

    Uma cidade em Minas já está se preparando para esse futuro, que parece cada vez mais próximo: localizada no Triângulo Mineiro, Uberlândia já começou a construção de um bairro inteiro conectado, batizado de Granja Marileusa. Além dos ônibus descritos lá no início do tópico e da identidade no celular, serão muitos os serviços disponíveis.

    Perspectica do bairro Granja Marileusa, em Uberlândia, que irá aplicar conceitos de cidade inteligente

    Também muito interessante são as “smart lixeiras” (lixeiras inteligentes), que funcionam assim: espalhadas pelo bairro, elas serão equipadas com sensores para medir o volume de lixo descartado e o espaço disponível, tornando a coleta mais eficiente. Além disso, o cidadão que jogar o lixo corretamente conquista pontos que podem ser trocados por prêmios. Não parece uma ótima ideia?

    Viu como existem pessoas pensando e investindo em alternativas para a Terra, com boas ideias? E você, conhece alguma iniciativa bacana para melhorar nosso planeta? Deixe um comentário e conte para a gente, participe da discussão!

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