Quer usar energia solar e não sabe como? Aplicativo gratuito da UFV ajuda

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Professor Heverton Pereira e a estudante Juliana Moreno, idealizadores do aplicativo EStimate

Minas Gerais é o estado do Brasil que tem o maior número de residências e empresas utilizando energia solar e o interesse por essa alternativa energética vem crescendo a cada ano. Entretanto, ainda há grandes dúvidas por parte dos consumidores sobre as suas vantagens, quais os equipamentos necessários, a capacidade técnica dos fornecedores e, especialmente, os custos de instalação.

Para ajudar a resolver o problema, o Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Viçosa (UFV) desenvolveu um aplicativo para smartphone que vai tirar todas as dúvidas de quem tiver interesse em utilizar a energia do sol.

Batizado de EStimate, o aplicativo, que é gratuito, vai fornecer ao usuário uma estimativa de custo para a instalação do sistema, seja para uso residencial ou comercial. E o seu grande diferencial é que o consumidor, além de poder comparar preços, será direcionado, caso queira, para as lojas ou empresas fornecedoras.

“Há muitos aplicativos no mercado que fazem a estimativa de custos de instalação de um sistema de energia solar. Mas o EStimate é o único que, além dessas informações, cria também uma conexão entre compradores e vendedores”, explica o professor Heverton Pereira, o idealizador do aplicativo.

O professor explica que o aplicativo demorou 15 meses para ser desenvolvido. A parte técnica ficou por conta da estudante Juliana Moreno, bolsista do curso de Ciência da Computação da UFV. Por enquanto, o EStimate só está disponível para o sistema operacional Android (https://play.google.com/store/apps/details?id=br.developer.gesep.estimate&hl=pt_BR). Ele só estará disponível no sistema iOS quando o Departamento de Engenharia Elétrica conseguir um parceiro que ajude a financiar esse upgrade.

Análise financeira

Até dezembro, o professor Herveton estima que uma outra versão do aplicativo será lançada com mais uma novidade: análise financeira. Na prática, o aplicativo vai informar ao usuário se ele vai ganhar mais colocando seu dinheiro em alguma aplicação financeira, como poupança, renda fixa, ou se vale mais a pena investir nas placas fotovoltaicas.

“Se você tiver R$ 10 mil e aplicar numa caderneta de poupança, essa aplicação vai render, em média, 7% ao ano, o que equivale a R$ 700. Mas se você pegar esses R$ 10 mil e investir no sistema de energia solar, o aplicativo vai estimar a sua rentabilidade, com base na economia que você fará com sua conta de luz”, explica o professor Heverton.

Quem quiser utilizar a energia fotovoltaica, seja em casa, no comércio, na empresa ou indústria, vai precisar de, no mínimo, dois equipamentos: um painel para captação dos raios solares e um inversor, que vai integrar a geração local à rede elétrica da concessionária (no caso de Minas, a Cemig).

Para que o aplicativo forneça as informações ao consumidor, basta que ele insira alguns dados solicitados, que estão disponíveis na conta de energia elétrica.

O professor Heverton espera agora um retorno dos usuários para que a plataforma possa ser aperfeiçoada, oferecendo, a cada versão, mais utilidades para quem pretender usar a energia solar. Críticas, sugestões, comentários podem ser feitas no e-mail gesepufv@gmail.com

Consumidores e especialistas pedem mais incentivo

Apesar de o sol brilhar quase que durante todo o ano no Brasil, o país ainda utiliza muito pouco a energia solar. Uma das razões é o valor do investimento inicial, ainda considerado alto para os padrões brasileiros. Mas não há muita informação sobre os benefícios dessa fonte energética, que é limpa, renovável e tem custo de produção bem menor do que as alternativas convencionais.

Uma pesquisa realizada pelo Greenpeace, em conjunto com a Market Analisys, em dezembro de 2013, constatou que somente três em cada dez brasileiros sabem da possibilidade de gerar sua própria energia.

Mas falta também, segundo o professor Heverton Pereira, da Universidade Federal de Viçosa, incentivos dos governos para ampliação do uso desse tipo de energia. É o que aponta também o Greenpeace, uma organização global que tem como uma de suas missões proteger o meio ambiente.

A sugestão da instituição é que o governo crie linhas de crédito subsidiadas que popularizem a aquisição do sistema, que os cidadãos possam utilizar recursos do fundo de garantia (FGTS) também para este fim e que seja adotada uma tributação diferenciada para baratear o custo das placas fotovoltaicas.

Energia solar em Minas Gerais   

Minas Gerais é o Estado que tem mais conexões de energia solar no país (2.253 unidades), seguido por São Paulo e Rio Grande do Sul. Mas os números (veja tabela a seguir) são muito pequenos se for considerado o tamanho e o potencial que tem o Brasil nessa área.

Mas, de acordo com o professor Heverton, haverá um forte incremento, nos próximos anos, da energia solar no país. Até o final de 2016, havia no Brasil 7.691 sistemas fotovoltaicos instalados. Ao final deste ano, o número deverá chegar próximo de 27 mil. Estimativas de empresas do setor apontam que, em 2020, o país terá 174 mil sistemas de energia solar. E as projeções para 2024 mostram que o número vai estar próximo de 900 mil.

O crescimento é atribuído, em parte, a resolução 482 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que passou a permitir que todo cidadão use seu telhado para gerar sua própria eletricidade e receber descontos em sua conta de luz.

De acordo com dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério das Minas e Energia, se todo o potencial de geração de eletricidade nas residências brasileiras fosse aproveitado com sistemas fotovoltaicos, o país produziria o suficiente para abastecer mais de duas vezes o atual consumo residencial. O aproveitamento de todo esse poderia gerar, conforme a EPE, aproximadamente seis milhões de novos empregos, entre diretos e indiretos.

Dados de instalações realizadas, Estado por Estado, até 2016

 

 

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