Meu Deus! Estou na Ri Happy

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Imagem gerada por IA
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Viver no reino dos adultos não é para os fracos. A gente calcula os dias úteis, confere a fatura do cartão, pesquisa o preço do tomate e vive sob o correr implacável do relógio. O mundo adulto é exato, chato e cinza. Até acredito que haja quem discorde; talvez, para alguns, o cenário seja mais colorido. Fico feliz por essas pessoas.
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A vida é assim mesmo, né? A gente aprende todos os dias, se reconhece nas falhas e nos acertos dos outros e vai tentando acertar, alinhavando os pontos frouxos.

​Ainda bem que, no mundo real, há crianças para bagunçar o coreto da nossa sanidade com uma filosofia totalmente à margem de qualquer planilha do Excel.

​Graças a Deus, daqui a pouco já será novembro. Depois, virá o Natal. E, por falar nessa data santa, lembrei-me do tempo da delicadeza.
​A cena me remete a uma sobrinha que, ao transpor a soleira da Ri Happy, não estava apenas entrando num estabelecimento comercial climatizado de um shopping qualquer. Ela parou, arregalou os olhos diante da imensidão de brinquedos e exclamou, com a solenidade de quem pisa em solo sagrado:
​— Meu Deus! Estou na Ri Happy!
​Houve ali quase uma epifania mística.

​Há outro sobrinho que, ansioso pela chegada do Papai Noel, me presenteou com a preciosidade de um calendário inusitado, daqueles que exigem um manual de afetos:
​— Tia Gisele, quantos Trapalhões ainda faltam para o Natal?

​Pensa no encantamento da tia. Surpresa com a pergunta, pensei: “Que calendário é esse, minha Nossa Senhora?”. Hoje, arriscaria dizer que era o calendário do amor, da esperança, da alegria. Muito diferente desse nosso gregoriano, cheio de boletos. Para que contar em semanas se a gente pode contar em Didi, Dedé, Mussum e Zacarias?

​Há poucos dias, um sobrinho já crescido me ligou — o que, infelizmente, raramente faz. Eu entendo, mas adoraria se me ligasse mais vezes, mesmo que fosse só para um “oi, tia!”

​— Tia Gisele, você não vai acreditar. Lembra de quando eu era criança e a gente estava em uma loja de brinquedos e fiquei louco por um Transformer Optimus Prime? Lembra que ele custava mais de R$ 500,00? Pois é! Comprei! Já chegou!, contou, todo feliz.

​Comemorei com ele esse feito de um menino de 18 anos. Fiquei encantada.

​Hoje, com os sobrinhos e sobrinhas crescidos, me divirto com os sobrinhos-netos. E haja surpresa! Haja encantamento! Afinal, nasceram na era digital e têm uma lógica que foge demais do que até então entendíamos sobre o ciclo de crescimento.

​Essa é a parte boa: em meio ao caos, alguns oásis ainda sobrevivem. A sabedoria dos pequenos é um lembrete urgente para que nós, engessados pela maturidade, possamos viver alheios (ou quase) à conta das horas. Que possamos medir a vida pelo tamanho do deslumbramento.

​E que venham novembro, o Natal e, depois, o Réveillon. Vida nova, novas energias. Que assim seja! E será.

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