Nobel da Paz: conheça a vencedora Navi Pillay!

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A jurista sul-africana Navi Pillay ganhou o Nobel da Paz 2026 por sua atuação em favor da paz e do direito internacional. Foto de Antônio Cruz, da Agência Brasil, durante visita da jurista ao Brasil em 2009.
A jurista sul-africana Navi Pillay ganhou o Nobel da Paz 2026 por sua atuação em favor da paz e do direito internacional. Foto de Antônio Cruz, da Agência Brasil, durante visita da jurista ao Brasil em 2009.

A jurista sul-africana Navi Pillay ganhou o Nobel da Paz 2026 por sua atuação em favor da paz e do direito internacional. O Comitê Norueguês do Nobel anunciou a escolha nesta sexta-feira, 9 de outubro. Aos 85 anos, a ex-alta comissária da ONU para os Direitos Humanos recebe o reconhecimento após décadas de enfrentamento à discriminação e à impunidade.

Ao justificar a decisão, o comitê destacou sua coragem, integridade e contribuição para responsabilizar autores de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio. Além disso, apresentou a premiação como uma defesa das instituições jurídicas internacionais em um período de conflitos e pressões políticas.

Pillay soube da escolha durante um encontro sobre direito internacional em Nuremberg, na Alemanha. O local tem forte significado histórico: ali ocorreram os julgamentos de dirigentes nazistas após a Segunda Guerra Mundial. A jurista estava na sala onde aqueles processos ajudaram a construir as bases da justiça internacional contemporânea.

Do apartheid à defesa dos direitos humanos

Nascida em Durban, em uma família de origem indiana tâmil, Navanethem Pillay cresceu sob o apartheid. O regime impunha segregação racial e restringia direitos da população não branca na África do Sul. Essa experiência marcou sua trajetória na advocacia e sua defesa da igualdade.

Em 1967, ela abriu um escritório na província de Natal. Na prática profissional, defendeu opositores do apartheid e atuou pelos direitos de presos políticos. Assim, aproximou o trabalho jurídico das necessidades de pessoas submetidas à repressão e à exclusão. Em 1995, passou a atuar como juíza na Justiça sul-africana.

Sua formação também atravessou fronteiras. Pillay estudou na Universidade de Natal e concluiu mestrado e doutorado em Harvard, nos Estados Unidos. Paralelamente, participou da criação de organizações de apoio a mulheres, entre elas a Equality Now, voltada à defesa dos direitos femininos.

Ainda em 1995, ingressou no Tribunal Penal Internacional para Ruanda. Quatro anos depois, assumiu a presidência da instituição. O tribunal julgava responsáveis pelo genocídio de 1994 e por outras graves violações cometidas naquele contexto.

Justiça para vítimas e combate à impunidade

Um dos marcos dessa atuação ocorreu em 1998, no julgamento de Jean-Paul Akayesu, ex-prefeito da comuna de Taba. Pillay integrou o colegiado que o condenou por genocídio e crimes contra a humanidade. A decisão estabeleceu que estupro e violência sexual podem constituir genocídio quando praticados com intenção de destruir um grupo protegido.

O precedente ampliou o reconhecimento jurídico da violência contra mulheres em conflitos. Dessa forma, o tribunal enfrentou a ideia de que agressões sexuais seriam consequências inevitáveis da guerra. A decisão colocou esses crimes no centro da responsabilização internacional.

Posteriormente, Pillay atuou como juíza do Tribunal Penal Internacional, entre 2003 e 2008. Em seguida, comandou o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos até 2014. Atualmente, participa como juíza ad hoc da Corte Internacional de Justiça no processo que acusa Mianmar de genocídio contra a população rohingya.

Mais recentemente, presidiu a comissão da ONU que concluiu, em 2025, que Israel cometeu genocídio em Gaza. O governo israelense rejeitou a conclusão e criticou sua escolha para o Nobel. A comissão também apontou crimes de guerra cometidos pelo Hamas.

Ao receber a notícia, Pillay dedicou a distinção aos sobreviventes de crimes internacionais e aos defensores da justiça. A entrega ocorrerá em Oslo, em 10 de dezembro. O prêmio inclui 12 milhões de coroas suecas. Sua trajetória reforça a mensagem apresentada pelo comitê: a construção da paz exige justiça e respeito às regras internacionais.

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