Do sutiã ao retrato na parede

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Imagem - Pixels-pixabay
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A existência do amor verdadeiro e do amor idealizado sempre despertou curiosidade e polêmica ao longo dos séculos. Enquanto muitos acreditam que o amor verdadeiro é uma experiência rara, profunda e transformadora, outros defendem que grande parte do que sentimos é fruto de expectativas e idealizações criadas pela cultura, pela mídia e pelas nossas próprias fantasias.

Só que a tecnologia jogou uma pá de cal na discussão. E isso está deixando os românticos em polvorosa. Um bom exemplo veio do chamado “sutiã do amor verdadeiro”. A peça foi desenvolvida pela marca japonesa Ravijour e está equipada com sensores conectados via Bluetooth a um aplicativo que mede os batimentos cardíacos da mulher e calcula uma “Taxa de Amor Verdadeiro”. Quando essa taxa ultrapassa um certo limite, o fecho do sutiã se abre automaticamente. Mais do que uma lingerie, trata-se de um experimento tecnológico que viralizou nas redes sociais e levantou questões sobre como podemos medir ou comprovar sentimentos tão subjetivos.

Os cientistas envolvidos no experimento explicam que, quando estamos emocionados ou apaixonados, o corpo libera catecolaminas que estimulam o sistema nervoso autônomo e aumentam a frequência cardíaca. O aplicativo interpreta essas alterações como sinais de paixão. Para uma especialista em sexualidade humana, o sutiã deixa de ser apenas uma peça íntima e se torna um instrumento para testar o amor verdadeiro. Ela afirma que “quando nos apaixonamos, sentimos uma onda instantânea de emoção, uma sensação diferente de qualquer outra”.

Esse experimento ilustra bem a diferença entre o amor verdadeiro e o amor idealizado. O primeiro é vivido de forma intensa e autêntica, marcado por emoções que não podem ser facilmente simuladas. Já o amor idealizado nasce das expectativas e da busca por um modelo perfeito de relacionamento, muitas vezes distante da realidade. O “sutiã do amor verdadeiro” brinca com essa fronteira: será que é possível traduzir em números e sensores aquilo que sentimos no coração?

Tecnologias à parte, que atire a primeira pedra quem nunca sentiu o tal do amor verdadeiro. Tem também muita gente (calma, não vou apontar nomes porque não é do meu feitio) que de tanto idealizar o amor romântico caiu do cavalo. Hoje, com os dois pés atrás, não querem nem ouvir falar disso. Tem uns e umas que vivem dizendo: “Tô muito bem sozinha. Não quero nem ouvir falar disso”, “antes só que mal acompanhado” e patati, patatá. Haja discurso pronto.

A verdade é que o amor existe, sim. Tem a história dos meus pais que não me deixa mentir. Os dois foram apresentados pela minha tia Zizinha e se conheceram enquanto trilhavam a linha da Ferrovia Centro-Oeste. Sim, meus caros e minhas caras! Já houve um tempo em que as moçoilas e os moçoilos paqueravam ou, para ser mais contemporânea, se aproximavam dos seus crushs enquanto caminhavam sobre as linhas de trem. Difícil de imaginar, né? Hoje, lá em Conceição do Pará nem trem existe mais. Que dirá a linha. A estação continua de pé. Linda e imponente, enfeitando a praça da Matriz.

Sobre o amor dos meus pais, este frutificou. Somos o resultado desse amor sem medidas. O “até que a morte nos separe” durou mais de 60 anos. Hoje, como no poema de Drummond, esse amor é um retrato na parede. E como dói!

E sobre o amor idealizado? Ah, esse já deixou muita gente de cama, chorando com balde de pipoca e playlist melosa. Mas passa, viu? Nada como um novo crush para curar o antigo. Tem dorameira jurando de pés juntos que o asiático, principalmente o sul-coreano, é o homem perfeito. Confesso: a armadilha existe e é tentadora. Quem sou eu pra julgar. Só que, sejamos francos, tanto lá quanto aqui o machismo estrutural não tira férias. Então, cuidado: o príncipe encantado da tela pode virar sapo na vida real. Idealizar demais é receita certa para frustração e para mais uma maratona de drama coreano com final choroso. Haja lencinho! Mas eu amo. Os doramas, é claro! Vocês sabem disso.

E, antes que eu me esqueça, sobre amor, independente de ser o verdadeiro ou o idealizado, vale a máxima do Caetano: “qualquer maneira de amar vale a pena; qualquer maneira de amor valerá”. E estamos conversados. Torcendo aqui para que você seja feliz. Seja só ou acompanhada ou acompanhado. Fica a seu critério.

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