Ter pets pode proteger sua saúde – e a dos seus filhos

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Convivência com pets aumenta a imunidade, segundo cientistas. Imagem - Pixabay
Convivência com pets aumenta a imunidade, segundo cientistas. Imagem - Pixabay

Pesquisas realizadas por universidades e centros de excelência ao redor do mundo estão revelando um fato surpreendente: conviver com pets, os animais de estimação, desde a infância pode fortalecer significativamente o sistema imunológico humano. Esse efeito tem chamado a atenção de imunologistas, microbiologistas e médicos, especialmente diante do aumento de doenças autoimunes e alérgicas nas últimas décadas.

O ponto de partida dessa descoberta veio de uma comparação entre duas comunidades agrícolas norte-americanas: os Amish, no estado de Indiana, e os Huteritas, em Dakota do Sul. O estudo foi liderado pelo microbiologista Jack Gilbert, da Universidade da Califórnia em San Diego e cofundador do American Gut Project, com colaboração de cientistas dos EUA e da Alemanha. Eles analisaram o sangue de crianças dessas comunidades e identificaram uma diferença importante: os Amish, que vivem em contato direto com animais de fazenda, apresentaram sistemas imunológicos mais robustos e menor incidência de asma e alergias.

Enquanto os Huteritas adotaram tecnologias agrícolas modernas e mantêm os animais afastados das residências, os Amish continuam a conviver cotidianamente com o gado. Isso os expõe a uma grande diversidade de microrganismos presentes no ambiente rural, fator que, segundo os cientistas, “treina” o sistema imunológico. O estudo mostrou que as células T reguladoras, responsáveis por modular a resposta imunológica, estavam mais ativas e equilibradas nas crianças Amish.

Outro especialista que se destaca na área é o imunologista Fergus Shanahan, da University College Cork, na Irlanda. Ele analisou o microbioma intestinal de uma comunidade marginalizada conhecida como Irish Travellers, que ainda vive em contato intenso com diversos animais. O resultado foi semelhante: os microbiomas dessas pessoas lembram os de populações indígenas pré-industriais, como as da Tanzânia e da Mongólia, com menor ocorrência de doenças autoimunes.

Animais como aliados naturais da saúde

Pesquisas conduzidas por outras instituições reforçam essa hipótese. Um grupo da Universidade do Arizona investigou o impacto da realocação de cães abandonados em lares de idosos. O resultado foi uma melhora na saúde física, mental e imunológica desses adultos.

A médica infectologista Nasia Safdar, da Universidade de Wisconsin, explora a hipótese de que microrganismos benéficos possam ser transferidos dos pets para seus donos. Ela planeja estudos para verificar se o microbioma intestinal dos animais e de seus tutores se torna semelhante ao longo do tempo. Embora essa transferência ainda não esteja comprovada, a hipótese já estimula o setor pet a desenvolver alimentos que fortaleçam a flora intestinal dos bichos.

Além disso, pesquisadores italianos criaram uma fazenda educacional, onde crianças sem animais de estimação interagiam com cavalos. Os exames mostraram que os microbiomas dessas crianças passaram a produzir metabólitos mais saudáveis.

Efeitos benéficos da convivência com pets

Segundo Jack Gilbert, a convivência com pets, mesmo em contextos urbanos, reduz o risco de asma em até 14%. O chamado “efeito minifazenda” se aplica até mesmo a casas com apenas um cachorro ou gato. Isso porque a interação com o animal expõe o organismo a micróbios diversos, estimulando a imunidade.

O professor Liam O’Mahony, também da University College Cork e pesquisador do centro APC Microbiome Ireland, destaca outro fator: ao passear com pets, somos expostos a microrganismos do solo, do parque e do ar, que também contribuem para fortalecer nosso sistema de defesa.

A ciência reforça uma ideia antiga: viver em harmonia com os animais é parte essencial da saúde humana. E, ao que tudo indica, o melhor amigo do homem pode ser também um aliado silencioso da nossa imunidade.

Com informações da BBC News

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