Vidas negras importam, sim; aqui, nos EUA e no mundo

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Black lives Matter: vidas negras importam, escrito em letras garrafais quase em frente à Casa Branca, em Washington (EUA)
Black lives Matter: vidas negras importam, escrito em letras garrafais quase em frente à Casa Branca, em Washington (EUA)

O movimento começou nos Estados Unidos, mas está se espalhando pelo mundo. “Black Lives Matter”, Vidas Negras Importam, em tradução livre, transformou-se numa onda de protestos após a morte de George Floyd por um policial de Mineápolis (EUA), ganhou as redes sociais de famosos e anônimos e chama a atenção para um absurdo que tem se perpetuado ao longo dos séculos: a discriminação por conta da cor da pele.

Os negros nos Estados Unidos somam cerca de 13% da população e no Brasil esse percentual chega a 55%. Mas em relação aos brancos, tanto lá como cá, os negros têm menos escolaridade, acesso à saúde e emprego. Morrem mais de covid-19 e pelas ações das polícias e são sub-representados tanto no sistema político como na indústria cultural.

Inaceitável, inadmissível. Para lutar contra esse estado de coisas é que nasceu em 2013, nos Estados Unidos, a organização Black Lives Matter (BLM), criada por três ativistas norte-americanas: Alicia Garza, da aliança nacional de trabalhadoras domésticas; Patrisse Cullors, da coalizão contra a violência policial em Los Angeles; e Opal Tometi, da aliança negra pela imigração justa.

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“Erradicar a supremacia branca”

Ao longo das últimas décadas, várias entidades com o mesmo propósito já surgiram Essa, também chamada de BLM, tornou-se um movimento mundial pelos direitos da população preta e tem como missão “erradicar a supremacia branca e construir poder local para intervir na violência infligida às comunidades negras” pelo Estado e pela polícia.

Como assinalam as lideranças do movimento, não se trata de uma guerra entre brancos e negros, mas uma luta de todos contra o racismo. E é mesmo necessário que todos se engajem nessa luta, para tentar acabar com absurdos que ainda presenciamos no nosso país em relação à população negra.

Dados de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado sobre assassinatos de jovens, de 2016, mostrou que um jovem negro é assassinado no Brasil a cada 23 minutos.

Quem não se lembra dos casos da menina Ágatha Félix, de apenas 8 anos, baleada em setembro de 2019 no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, e mais recentemente do adolescente João Pedro Mattos, 14, alvejado dentro de casa e morto com um tiro nas costas em São Gonçalo, no mês passado. Os dois, e centenas de outros semelhantes, fruto da violência policial.

A importância de movimentos como o Black Lives Matter é dar uma chacoalhada na sociedade e lembrar a todos das desigualdades sociais que deveriam assombrar o mundo (e o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo), que milhões de pessoas ainda são brutalmente discriminadas pela cor da sua pele e que é responsabilidade de todas as pessoas de bem se engajar nessa luta para mudar esse triste cenário.

Oxalá o Boas Novas possa um dia, num tempo não muito distante, noticiar que o mundo é menos desigual, que jovens negros não são mais, com tanta frequência, vítimas da violência policial, e que ninguém mais sofra qualquer discriminação porque tem a pele negra, parda, amarela…

Abaixo, imagem aérea da frase frase Black Lives Matter, escrita em uma rua bem próxima da Casa Branca, sede do governo dos Estados Unidos.



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