UFMG cria novo método para identificar carnes adulteradas

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Novo método criado na UFMG vai ajudar a identificar de forma mais eficaz e mais rápida, adulterações em carne bovina
Novo método criado na UFMG vai ajudar a identificar de forma mais eficaz e mais rápida, adulterações em carne bovina

Uma pesquisa feita no Departamento de Química da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com a Polícia Federal, deu origem a um novo método para identificar adulteração em carnes bovinas in natura. A pesquisadora Karen Nunes, responsável pelo trabalho, define o novo método como “simples, robusto e de baixo custo”, o que é uma ótima notícia para os consumidores.

Karen, em entrevista que concedeu para TV UFMG, explicou que a pesquisa teve origem em 2012, quando foi realizada em Minas, pela Polícia Federal, uma operação denominada Vaca Atolada, que fiscalizou cinco frigoríficos na Região Metropolitana de Belo Horizonte que adulteravam carne bovina. Na prática, segundo a pesquisadora, os frigoríficos injetavam algumas soluções na carne para reter água, para que a peça ganhasse mais peso.

A adição de água, sais e outros adulterantes aumenta a capacidade de retenção de água pela carne, propiciando fraude comercial, uma vez que o preço do produto é estabelecido pelo peso.

O professor Marcelo Martins de Sena, orientador do trabalho, explicou, também em entrevista à TV UFMG, que esses produtos injetados na carne não fazem mal à saúde, mas claramente os frigoríficos estavam cometendo uma fraude econômica contra o consumidor, uma vez que ao comprar o produto, ele está pagando não somente pela proteína, mas também por “água e gelo”.

Karen explica que a análise é feita na chamada “purga” da carne, aquela espécie de suco que é eliminado pela peça. Usando infravermelho e outras técnicas de análise, é possível identificar a carne que não foi adulterada e aquela que contem substâncias que foram injetadas para aumentar o seu peso.

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Método mais eficaz e mais rápido

Além das técnicas de análise, os pesquisadores criaram também um modelo matemático computacional, que prevê se a amostra é adulterada ou não, que funciona como um método de triagem que pode ser usado pela polícia. Havendo suspeita de adulteração, a peça é remetida para o laboratório para confirmação. De acordo com a pesquisadora Karen Nunes, o objetivo da pesquisa foi simplificar as perícias promovidas pelos agentes.

De acordo com o perito criminal Marcus Andrade, a Polícia Federal sempre teve dificuldade técnica em determinar os elementos presentes na carne, nas operações que investigam adulterações. O método desenvolvido pela química Karen, que foi estagiário da Polícia Federal na época da operação Vaca Atolada, é mais eficaz e mais rápido do que o tradicional, conforme o perito Marcus Andrade, e pode ser usado em qualquer operação.

Segundo Marcus, a Polícia Federal vai agora treinar pessoal e desenvolver protocolos para uma aplicação prática, para que num prazo de seis meses a um ano, no máximo, o novo método para identificar adulterações de carne possa ser utilizado nas operações policiais.

No vídeo abaixo, feito pela TV UFMG, a pesquisadora dá mais detalhes sobre o método:

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