Estudo da UFV pode ajudar a salvar as abelhas

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Estudo da UFV avalia impacto do campo magnético na morte das abelhas
Estudo da UFV avalia impacto do campo magnético na morte das abelhas

Um estudo desenvolvido por professores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), que está entre os mais acessados do mundo na área de ecologia, pode ajudar a salvar as abelhas, que estão morrendo em proporções alarmantes em todos os cantos do planeta. Já se sabe que os principais inimigos das abelhas são os agrotóxicos. Mas os especialistas da UVF descobriram uma outra possível causa para o extermínio desse inseto, que é o principal polinizador da maioria dos ecossistemas da terra: os campos eletromagnéticos.

Os professores Eugênio Eduardo Oliveira, do Departamento de Entomologia, e Maria Augusta Lima, do Departamento de Biologia Animal, investigaram a influência das redes de transmissão de energia e telefonia sobre as abelhas e descobriram que as radiações interferem na navegação desses insetos em direção às plantas.

Esse foi o aspecto que mais chamou a atenção da comunidade científica internacional para o trabalho dos professores, que foi publicado no artigo Extremely Low Frequency Electromagnetic Fields Impair the Cognitiv and Motor Abilities of Honey Bees.

Os professores Eugênio Oliveira e Maria Augusta Lima, da Universidade Federal de Viçosa
Os professores Eugênio Oliveira e Maria Augusta Lima, da Universidade Federal de Viçosa

Fertilização e reprodução

O principal objetivo dos pesquisadores foi avaliar como diferentes fatores causadores de estresse, estudados de forma isolada ou em conjunto, podem alterar o comportamento, fisiologia, saúde e cognição de abelhas melíferas, a espécie mais estudada no mundo todo e que também ocorre no Brasil.

As abelhas melíferas voam em um raio de até 12 quilômetros para se alimentar. Enquanto buscam o néctar, carregam o pólen responsável pela fertilização das flores e a reprodução das plantas. O estudo concluiu que, quanto mais perto das torres de transmissão, mais as abelhas têm o voo alterado. “O campo eletromagnético das redes de transmissão modifica a velocidade do voo fazendo com que as abelhas tenham mais dificuldades para polinizar as plantas”, conta o professor  Eugênio Oliveira.

Atualmente, a equipe da UFV está investigando se a exposição conjunta aos campos eletromagnéticos e aos inseticidas causam efeitos letais ou subletais às abelhas melíferas. “Nós isolamos os efeitos de diferentes doses de compostos químicos e de graus de radiação para responder com segurança a influência que exercem no comportamento das abelhas”, explica a professora Maria Augusta.

Os resultados já estão adiantados e serão publicados em breve. Se houver mais financiamento, os pesquisadores pretendem adaptar os estudos às espécies mais comuns no Brasil. “Nós usamos a abelha melífera como referência porque é um modelo já conhecido e é a espécie mais estudada no mundo” explicou Eugênio Oliveira.

Mas a professora Maria Augusta alerta: “Os estudos têm que ser conduzidos com muita segurança porque o tema envolve cifras bilionárias da indústria de alimentos e de agroquímicos”.

Mortes alarmam

Levantamento mostra que em apenas 3 meses deste ano, mais de 500 milhões de abelhas foram encontradas mortas, em apenas 4 estados brasileiros
Levantamento mostra que em apenas 3 meses deste ano, mais de 500 milhões de abelhas foram encontradas mortas, em apenas 4 estados brasileiros

De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU), 85% das plantas com flores das matas e florestas e 70% das culturas agrícolas dependem dos polinizadores. A polinização das abelhas é fundamental para garantir alta produtividade, qualidade dos frutos em diversas culturas agrícolas e a biodiversidade.

Mas, nos últimos 15 anos, a presença das abelhas tem se modificado em todo o mundo. Somente nos EUA, mais de um terço dos enxames são perdidos todos os anos. Segundo levantamento feito pela Agência Pública e Repórter Brasil, em apenas três meses de 2019, mais de 500 milhões de abelhas foram encontradas mortas por apicultores em apenas quatro estados brasileiros.

Foram 400 milhões no Rio Grande do Sul, 7 milhões em São Paulo, 50 milhões em Santa Catarina e 45 milhões em Mato Grosso do Sul, segundo estimativas de Associações de apicultura, secretarias de Agricultura e pesquisas realizadas por universidades.

Além dos prejuízos à segurança alimentar, o desaparecimento das abelhas, segundo a FAO, pode levar à extinção de alguns alimentos importantes à manutenção de dietas equilibradas. O declínio da população de abelhas é tão preocupante que, desde o ano passado, a FAO instituiu o dia 20 de maio como o Dia Mundial da Abelha e tem realizado campanhas para alertar a população para os perigos da extinção.

O trabalho é o 35º entre os cem artigos mais acessados no ano passado  na área de Ecologia e, por isso, eles receberam o selo Top 100 in Ecology 2018, emitido pelo periódico científico Scientific Reports, do grupo Nature. 

O trabalho dos professores Eugênio Eduardo e Maria Augusta é fruto de um projeto desenvolvido pelos professores da UFV em parceria com pesquisadores da University of Southampton, na Inglaterra. A pesquisa recebeu financiamento da Fapemig, por meio de cooperação com a universidade inglesa, e da Capes, por meio do Programa Ciência sem Fronteiras.

Campos eletromagnéticos

As abelhas são fundamentais para a polinização da maioria dos ecossistemas do planeta
As abelhas são fundamentais para a polinização da maioria dos ecossistemas do planeta

Computadores, celulares, tomadas, micro-ondas, wifi, entre outros. Todos estes aparelhos eletrônicos que usamos diariamente, e que fazem nossa vida mais fácil, além das torres de transmissão de energia e telefonia, também geram ao seu redor campos eletromagnéticos que podem afetar negativamente não só as abelhas, mas a saúde do homem, causando problemas como insônia, ansiedade, alergias, pele seca.

Os campos eletromagnéticos são produzidos devido a acumulação de cargas elétricas que todos os aparelhos e conexões eletrônicas geram; desde as antenas de televisão ou estações de rádio e telefonia até uma tomada de parede ou uma máquina de raios X, passando por todo o tipo de aparelhos eletrônicos.

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