3 romances policiais para serem lidos no feriado

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A coluna Bússola sugere três romances policiais

A proposta desta coluna é indicar, a cada semana, três livros de um determinado tema. Livros que podem se agrupar em um assunto, uma expressão, uma ideia. E que fujam das listas dos mais vendidos e das resenhas publicadas com frequência em jornais, revistas e blogs.

Nesta semana, indico três romances policiais, para serem saboreados neste feriado.

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O Homem que Sorria, de Henning Mankell

O escritor sueco é um dos meus autores policiais favoritos. Em “O Homem que Sorria” (Companhia das Letras), o inspetor Kurt Wallander volta de uma licença de 18 meses para investigar a morte de dois advogados, pai e filho, assassinados misteriosamente. Seu escritório tinha como cliente o empresário Alfred Harderberg, daquelas figuras misteriosas, dono de um império que ultrapassava fronteiras. Henning Mankell aplica uma crítica à Suécia, país do bem-estar social, mas que mesmo assim trata seus poderosos com certas regalias.

À medida que a trama avança, nos deparamos com os percalços da investigação, pistas que vão se somando, sem que o leitor depois descubra que são falsas — esse é um dos méritos do escritor sueco, não iludir o leitor com pegadinhas. Em meio a névoas e um tempo frio que domina o inverno europeu, a cidade de Ystad serve como ambientação para este romance policial que, como em outros livros de Mankell, é impossível de largar antes do final.

Os Filhos da Noite, de Dennis Lehane

Não sou fã dos livros de Dennis Lehane que trazem os detetives Patrick Kenzie e Angela Gennaro. Nunca me convenceram. Mas seus títulos que navegam longe da dupla são das melhores coisas que li no gênero: “Sobre Meninos e Lobos” e “Paciente 67” (ambos Companhia das Letras).

Na lista, entra agora “Os Filhos da Noite”, um épico policial que se origina na Lei Seca, passa pela Boston natal de Lehane, desce para a Flórida e aporta em Cuba. A história de Joe Coughlin, filho de um capitão da polícia que passa de um moleque de rua que comete pequenos delitos a chefão do crime organizado é uma delícia que navega pela história dos Estados Unidos. Não, não é um romance histórico, é uma novela policial que avança um pouco no gênero, mas de forma tão eficiente que prendemos os olhos pois impossível largar a próxima página.

Nessa trinca de livros sem os detetives, Lehane entrega seu melhor. E este “Os Filhos da Noite” é mais ousado que os anteriores, uma aula de literatura de mistério bem escrita e conduzida.

O Exército Furioso, de Fred Vargas

Sou fã de Fred Vargas. Seus livros misturam arqueologia, mistério em vilas francesas, tradições medievais e casos dos mais exóticos, sem parecer invencionice.

O Exército Furioso (Companhia das Letras), tem 400 páginas, mas que podem ser vencidas tranquilamente em dois dias de ócio. A trama traz novamente Adamsberg metido em investigações múltiplas e mistérios que beiram o sobrenatural. Neste, a história é de uma tropa de zumbis que assombram um vilarejo na Normandia, enquanto moradores da cidade aparecem mortos sem explicação.

Os habitantes da cidade buscam entender os fatos numa antiga lenda medieval, mas Adamsberg e sua equipe não levam muita fé nessa solução. Vargas escreve o melhor do gênero hoje, inventiva e com domínio da técnica.

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Gostou da seleção? Se quiser acrescentar um livro à lista ou sugerir um tema para a coluna, deixe um comentário. Aproveite e leia mais indicações da coluna Bússola.

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