Vai com tudo, Nossa Senhora!

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Imagem de Nossa Senhora Aparecida gerada por IA, com as cores da bandeira do Brasil.
Imagem de Nossa Senhora Aparecida gerada por IA, com as cores da bandeira do Brasil.

Na minha família, fé é mato. Brota em cada canto, em cada história. Eu mesma nasci doentinha, tão frágil que muita gente duvidava se eu iria “vingar”. Não me aprumava de jeito nenhum. Foi então que minha avó paterna, dona Liberalina, resolveu negociar com Nossa Senhora Aparecida: se eu ficasse boa, poupando meu pai de me ninar ao som de Alecrim Dourado, em troca eu me vestiria de azul e branco, as cores do manto da Mãezinha. E não era só isso: aos sete anos faria uma visita à casa da Mãe em Aparecida. Promessa feita, promessa cumprida. Com um certo atraso, diga-se de passagem, pois só fui aos 18 anos. Mas fui.
Desde então, costumamos reunir a família e amigos e seguimos rumo à Aparecida para agradecer pela vida e pela saúde. E ainda nos hospedamos na Pousada Bom Jesus, a mesma que recebe Papas em visita. Um lugar perfeito para rezar, meditar, comer bem e descansar. Quanto à promessa, se a saúde veio, com ela veio também o gosto pelo azul. Até hoje essa é a minha cor preferida, não importa qual seja o “pantone” do ano.
Se você pensa que esse tipo de promessa é exclusividade nossa, engano seu. A fé se manifesta em lugares e momentos que você nem imagina ou, quem sabe, nem presta atenção. No futebol, por exemplo. Inspirada no manto de Nossa Senhora Aparecida, a tradicional camisa azul da Seleção Brasileira voltará a ser utilizada nessa Copa do Mundo e, pasmem, carrega um histórico bastante positivo nessa competição. 
Li na Folha de S. Paulo que em 15 partidas disputadas com o uniforme azul no torneio, o Brasil soma 11 vitórias, um empate e apenas três derrotas. A estreia da peça aconteceu justamente em um dos momentos mais marcantes da história da Seleção: a final da Copa do Mundo de 1958, que terminou com a conquista do primeiro título mundial.

Naquela ocasião, a mudança foi necessária porque a anfitriã Suécia atuaria com uniforme amarelo. Coube ao chefe da delegação brasileira, Paulo Machado de Carvalho, escolher uma nova cor. A opção pelo azul foi uma homenagem a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.

O dirigente saiu às pressas para comprar o uniforme em lojas de Estocolmo. Em seguida, membros do staff brasileiro costuraram o escudo e os números. E agora, na Copa de 2026, o Brasil terá uma combinação inédita de uniforme. Pela primeira vez na história a seleção jogará de meias pretas em mundiais.

Quanto à camisa amarela, essa é a mais vitoriosa, com 56 triunfos em 84 jogos (66,7% de aproveitamento), especialmente na clássica combinação com calção azul e meias brancas, responsável por quatro títulos mundiais.
A camisa branca, utilizada entre 1930 e 1950, tem o pior desempenho (54,5% de aproveitamento) e ficou marcada pelo “Maracanazo” de 1950. Depois disso, só voltou em amistosos e na Copa América de 2019, quando foi usada na estreia, mas o título veio com a amarela.
Resumindo essa prosa toda, seja na promessa feita por minha avó ou na escolha apressada de Paulo Machado em 1958, o azul sempre carregou mais do que cor: é símbolo de fé, proteção e conquistas. Na minha família, fé é mato, e no futebol, o azul também floresce como lembrança de que acreditar faz diferença. Entre rezas em Aparecida e vitórias em Copas, sigo vestindo o azul, porque nele cabem tanto os milagres da vida quanto os gols da seleção.

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