Fundo para preservar florestas já tem R$ 30 bi

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Presidente Lula faz foto oficial com chefes de estado e lideranças que participam da COP30, em Belém. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
Presidente Lula faz foto oficial com chefes de estado e lideranças que participam da COP30, em Belém. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), criado pelo Brasil, já alcançou um marco histórico ao garantir quase R$ 30 bilhões, o equivalente a US$ 5,5 bilhões em aportes de países e instituições internacionais. O anúncio foi feito durante a Cúpula dos Líderes da COP30, em Belém (PA), e consolida o fundo como uma das principais iniciativas de financiamento climático do mundo.

A Noruega lidera os investimentos, com US$ 3 bilhões, seguida por Brasil (US$ 1 bi), Indonésia (US$ 1 bi) e França (US$ 500 milhões). A Alemanha e outros países europeus devem se juntar ao grupo nas próximas horas, o que pode elevar ainda mais o valor total comprometido. O fundo é administrado pelo Banco Mundial e foi desenhado para transformar a preservação das florestas tropicais em um ativo econômico sustentável.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, comemorou o resultado e destacou o ineditismo da proposta. “O TFFF já atingiu metade da meta de aportes prevista para o primeiro ano. Tanto recursos públicos quanto privados terão o seu dinheiro de volta — e, mais importante, o dinheiro de ida também para a proteção das florestas”, afirmou.

Fundo brasileiro revoluciona o financiamento ambiental

Proposto pelo governo brasileiro, o Tropical Forests Forever Fund (TFFF) inova ao usar um modelo financeiro de renda fixa para gerar recursos destinados à conservação de florestas tropicais. Diferente de fundos baseados em doações, o TFFF adota uma lógica de investimento com retorno garantido. Os rendimentos obtidos no mercado serão usados para remunerar países que preservam suas florestas, proporcionalmente à área conservada.

O fundo pretende mobilizar até US$ 125 bilhões (cerca de R$ 625 bilhões) ao longo dos próximos anos, combinando aportes de governos, fundações e emissões de títulos sustentáveis. O mecanismo também proíbe investimentos em combustíveis fósseis e destina pelo menos 20% dos recursos a povos indígenas e comunidades locais.

Entre os critérios de aplicação estão o pagamento anual por hectare preservado, a priorização de países com grandes áreas florestais, como Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo, e a adoção de investimentos seguros e sustentáveis. O modelo busca alavancar o capital inicial e criar um ciclo permanente de financiamento climático, substituindo doações pontuais por receitas de longo prazo.

Para o governo brasileiro, o TFFF representa uma virada de paradigma: a floresta deixa de ser vista como obstáculo ao desenvolvimento e passa a ser tratada como ativo econômico global, essencial à estabilidade climática e à biodiversidade.

Noruega lidera os aportes e reforça urgência global

O primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, destacou a importância de agir com rapidez diante da crise climática. “Não temos tempo a perder se quisermos salvar as florestas tropicais do mundo. O novo TFFF pode oferecer financiamento estável e de longo prazo aos países relevantes. É fundamental que a Noruega apoie essa iniciativa”, afirmou durante o evento em Belém.

O ministro do Clima e Meio Ambiente da Noruega, Andreas Bjelland Eriksen, explicou que o investimento será feito ao longo de dez anos e que o país manterá sua participação dentro de limites de até 20% do total do fundo, desde que o TFFF alcance US$ 10 bilhões em aportes. Ele ressaltou que o país continuará apoiando doações diretas, como as feitas ao Fundo Amazônia, mas considera a participação privada um pilar fundamental para garantir estabilidade e escala ao financiamento climático.

A Alemanha também demonstrou interesse em integrar o fundo. O chanceler Friedrich Merz, que participa da Cúpula em Belém, classificou a proposta como “muito interessante” e deve discutir detalhes diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O lançamento do TFFF reforça a liderança do Brasil na agenda ambiental global, especialmente neste momento em que Belém, no coração da Amazônia, se transforma no palco central das negociações climáticas da ONU. Embora o fundo não faça parte da pauta oficial da COP30, ele se consolidou como uma das principais vitrines diplomáticas brasileiras.

O governo espera que a iniciativa sirva como modelo para outros mecanismos de financiamento ambiental. Ao transformar a preservação das florestas tropicais em investimento rentável, o Brasil envia uma mensagem clara ao mundo: proteger o meio ambiente é, também, uma oportunidade econômica e social.

Com quase R$ 30 bilhões já garantidos, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre dá um passo decisivo rumo a uma nova economia verde, capaz de unir sustentabilidade, retorno financeiro e justiça climática.

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