Pessoas com dermatite atópica agora contam com mais opções de tratamento gratuito pelo SUS. A condição, que afeta principalmente crianças e adolescentes, pode causar inflamações intensas na pele e prejudicar a qualidade de vida. Em muitos casos, a doença persiste na idade adulta, exigindo acompanhamento constante.
Pela primeira vez, o Sistema Único de Saúde incluiu no protocolo oficial três medicamentos modernos. São duas pomadas — tacrolimo e furoato de mometasona — e um comprimido oral — metotrexato. Essas opções prometem controle mais eficaz da doença, com menos efeitos colaterais.
Medicamentos modernos e mais eficazes
Até então, o SUS oferecia apenas cremes com baixa potência e, em casos graves, um medicamento específico (a ciclosporina). Agora, com as novas medicações, o cuidado se torna mais personalizado. A secretária Fernanda De Negri, do Ministério da Saúde, afirma: “O SUS passa a oferecer um tratamento mais completo e individualizado, especialmente para quadros moderados e graves”.
Entre 2024 e 2025, o SUS registrou mais de 1 mil internações hospitalares e 500 mil atendimentos ambulatoriais relacionados à dermatite atópica. A demanda, portanto, é alta. Com a mudança no protocolo, o acesso se torna mais democrático e abrangente. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a dermatite atópica afeta entre 15% e 25% das crianças e adolescentes, e cerca de 7% dos adultos no Brasil
Além disso, o tratamento gratuito representa um avanço social. Muitas famílias não conseguiam arcar com os custos dos medicamentos. Agora, terão acesso garantido e sem custos.
Como obter os medicamentos pelo SUS
O acesso começa nas Unidades Básicas de Saúde. Após avaliação clínica, o paciente pode ser encaminhado para um dermatologista. Se preencher os critérios das Diretrizes Terapêuticas, receberá a prescrição de acordo com o novo protocolo.
Cada medicamento tem papel específico. O furoato de mometasona é um corticoide de média potência. Atua rapidamente nas crises, aliviando a coceira. No entanto, deve ser usado com cuidado e por tempo limitado.
O tacrolimo, por sua vez, tem ação anti-inflamatória semelhante, mas com menos efeitos colaterais. Pode ser usado em áreas sensíveis da pele, como rosto e dobras, sem causar atrofia. Apesar disso, pode provocar queimação nos primeiros dias.
Já o metotrexato é indicado para os casos mais graves. Como imunossupressor, reduz a resposta inflamatória do organismo. No entanto, exige acompanhamento rigoroso, com exames frequentes e ajustes de dose conforme a resposta do paciente.
Cuidado vai além dos remédios
Especialistas alertam: o sucesso do tratamento depende também dos cuidados diários. Hidratar a pele, evitar banhos quentes e usar sabonetes suaves são medidas essenciais. A dermatologista Nádia Aires destaca: “A rotina de cuidados precisa ser mantida mesmo fora das crises”.
Além disso, é importante educar os pacientes e seus cuidadores. A adesão contínua ao tratamento não medicamentoso reduz o risco de novas lesões e melhora a qualidade de vida.
Mais dignidade e bem-estar
Os benefícios vão além da pele. Reduzir crises melhora o sono, a autoestima e o convívio social. Crianças e adolescentes, por exemplo, sofrem menos com o afastamento escolar e o preconceito.
A secretária Fernanda De Negri observa: “O SUS dá um passo importante ao garantir tratamento eficaz, seguro e gratuito para uma condição que impacta profundamente a vida das pessoas”. O novo protocolo reforça o compromisso do sistema público com o cuidado equitativo e de qualidade.
Com informações da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e UOL































