Iniciativa busca investimentos estáveis para garantir preservação da floresta e qualidade de vida para populações locais
Um grupo formado por mais de 60 organizações da sociedade civil lançou um pacto inédito para arrecadar US$ 7 bilhões por ano destinados à preservação da Amazônia brasileira. A proposta, batizada de Pacto para o Financiamento da Transição Ecológica Justa na Amazônia, busca garantir recursos estáveis, transparentes e de longo prazo para a região.
Coordenada pelo Observatório do Clima, a iniciativa conta com a participação de entidades como o Instituto Socioambiental (ISA), o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), o Instituto Clima e Sociedade (iCS), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e a Conectas Direitos Humanos.
O pacto foi apresentado no Fórum Amazônia+21, realizado em Belém (PA), com a presença de representantes de governos, bancos de desenvolvimento, cientistas e lideranças indígenas. O momento é estratégico: acontece um ano após a Cúpula da Amazônia e meses antes da COP30, que será realizada em novembro, também em Belém.
Fundo climático e fortalecimento local
De acordo com os organizadores, o objetivo é que os US$ 7 bilhões por ano sejam aportados por fontes públicas e privadas, nacionais e internacionais. Esses valores seriam direcionados a projetos sustentáveis e de impacto direto nas comunidades locais.
O pacto propõe a criação de um Fundo Amazônico Multidoadores, com critérios rigorosos de governança e participação social. Segundo o documento oficial, a prioridade é financiar ações em áreas como:
- proteção de territórios indígenas e de populações tradicionais,
- recuperação de áreas degradadas,
- transição energética e agrícola,
- combate ao desmatamento ilegal,
- bioeconomia de baixo carbono.
Além disso, o pacto prevê que ao menos 30% dos recursos sejam destinados diretamente a organizações da sociedade civil da própria Amazônia, fortalecendo iniciativas locais.
Transição justa e emergência climática
Os proponentes destacam que a transição ecológica na região amazônica só será bem-sucedida se for socialmente justa. Ou seja, ela precisa gerar emprego, renda e qualidade de vida para os 30 milhões de brasileiros que vivem na Amazônia Legal.
Em entrevista ao site do Observatório do Clima, Marcio Astrini, secretário-executivo da organização, afirmou que “não basta prometer bilhões para a floresta; é preciso garantir que esse dinheiro chegue onde realmente importa”.
Por isso, o pacto propõe uma estratégia articulada entre governos, setor privado, bancos multilaterais, sociedade civil e povos indígenas. A intenção é que o plano sirva como referência para negociações internacionais, especialmente na COP30, quando o Brasil deve apresentar compromissos climáticos mais ambiciosos.
Um chamado global
O lançamento do pacto também funciona como um chamado internacional à corresponsabilidade. Os organizadores lembram que países desenvolvidos, grandes emissores de carbono, têm o dever de contribuir financeiramente com a proteção de biomas essenciais como a Amazônia.
A ideia de criar mecanismos de financiamento robustos e permanentes para a floresta vai ao encontro de propostas discutidas no âmbito da ONU, como o novo Fundo para Perdas e Danos, e amplia a visibilidade do Brasil como protagonista na agenda climática global.
A expectativa é que o pacto atraia governos, filantropos, bancos e empresas comprometidos com metas ambientais sérias — e que os primeiros compromissos comecem a ser firmados ainda em 2025.































