Brics propõe R$ 1,6 trilhão por ano para financiar ação climática

0
756
Cúpula de Chefes de Estado do Brics posa para foto no último dia do encontro, no Rio de Janeiro. Foto - Ricardo Stuckert/Presidência da República
Cúpula de Chefes de Estado do Brics posa para foto no último dia do encontro, no Rio de Janeiro. Foto - Ricardo Stuckert/Presidência da República

Bloco cobra países ricos por metas descumpridas e quer reforma no sistema financeiro internacional

Os países do Brics lançaram, nesta segunda-feira (7), um ambicioso plano conjunto para ampliar o financiamento climático global. O anúncio foi feito no final da 17ª Cúpula do bloco, realizada no Rio de Janeiro, e veio acompanhado de duras críticas aos países desenvolvidos que não cumpriram metas assumidas no Acordo de Paris.

No documento batizado de Declaração-Marco dos Líderes do Brics sobre Finanças Climáticas, o grupo formado por 11 países — incluindo Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul — reafirma seu compromisso com a agenda ambiental global, mas exige ações mais concretas por parte das nações ricas.

A principal proposta é a destinação de US$ 300 bilhões por ano (cerca de R$ 1,6 trilhão) até 2035 para projetos de mitigação e adaptação climática nos países em desenvolvimento. O grupo também pressiona pelo cumprimento imediato da antiga promessa de US$ 100 bilhões anuais até 2025, valor que até hoje não se concretizou plenamente.

Contra a dívida e tarifas ambientais

Para o Brics, os países do Sul Global contribuíram menos para as mudanças climáticas, mas são os mais vulneráveis aos seus efeitos — e também os menos equipados para enfrentá-los. Por isso, defendem que os recursos climáticos internacionais sejam baseados em doações, e não em empréstimos que aumentem a dívida.

O grupo também condena medidas unilaterais, como o CBAM — mecanismo da União Europeia que taxa importações com base nas emissões de carbono dos produtos. Segundo os líderes, esse tipo de prática distorce o comércio global e dificulta a transição ecológica de países emergentes.

Entre os compromissos firmados pelo bloco estão:

  • Destinar 40% dos financiamentos do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) a projetos climáticos até 2026;
  • Ampliar o uso de finanças mistas, como títulos verdes e garantias públicas;
  • Estimular o uso de moedas locais e mecanismos de proteção cambial;
  • Reforçar a cooperação entre os bancos de desenvolvimento dos países membros.

O plano inclui ainda a criação de um novo marco de cooperação técnica entre os países do Brics, com revisões a cada cinco anos.

Outras decisões da cúpula no Rio

Além da pauta ambiental, os líderes do Brics divulgaram a Declaração do Rio de Janeiro, um documento extenso com 126 pontos cobrindo os principais debates do último ano. O bloco também apresentou dois documentos específicos: um sobre inteligência artificial — com diretrizes para uso ético e inclusivo da tecnologia — e outro sobre doenças socialmente determinadas, com foco em combate à desigualdade em saúde.

O texto ainda expressa apoio à presidência da África do Sul no G20 e à futura liderança brasileira da COP30, marcada para 2025, em Belém. O Brics promete atuar de forma coordenada para viabilizar um sistema financeiro global mais justo, com mais recursos e previsibilidade para enfrentar a crise climática.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here