
Uma tecnologia desenvolvida na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) promete transformar a forma como o Brasil combate doenças como dengue, zika e chikungunya. Batizado de Repeltex®, o novo repelente espacial pode proteger pessoas e ambientes por até quatro meses, e estará disponível em breve no mercado, por meio da startup mineira InnoVec.
O produto é resultado de uma pesquisa iniciada em 2016 no Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, sob coordenação do professor Álvaro Eiras. Com décadas de experiência no estudo de mosquitos transmissores de arboviroses, Eiras é também sócio-fundador da startup responsável por levar a inovação ao mercado.
Diferentemente dos repelentes tópicos tradicionais, que precisam ser reaplicados constantemente, o Repeltex® é impregnado em tecidos como o sisal — um material barato, resistente e amplamente disponível. Esse tecido libera, de forma controlada, um princípio ativo que repele os mosquitos sem necessidade de energia elétrica, sem cheiro e sem aplicação direta na pele.
Resultados promissores e aplicação prática
A tecnologia foi testada com sucesso em laboratórios e ambientes semiabertos em Belo Horizonte e Porto Velho. Em campo, dois modelos de calçados — um masculino e outro feminino — foram avaliados por voluntários. Em cada cidade, 100 pares foram distribuídos, metade com o repelente e metade como placebo.
Os resultados foram impressionantes. Os calçados impregnados com Repeltex® repeliram 74% dos mosquitos Aedes aegypti e 84% do Anopheles darlingi, transmissor da malária. Esses números superam os padrões exigidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, os voluntários relataram que continuaram usando os calçados em casa, ampliando a proteção para outros ambientes.
Mais de 95% das pessoas entrevistadas em pesquisa feita em Belo Horizonte afirmaram que comprariam o produto, confirmando seu potencial comercial. Outro ponto de destaque é que o repelente pode proteger pessoas próximas ao usuário em um raio de até seis metros.
A tecnologia abre caminho para diversos usos além dos calçados, como mochilas, cortinas, estofados, roupas e até equipamentos de proteção individual em empresas dos setores de mineração, energia e saúde. O refil pode ser reaplicado periodicamente, garantindo proteção contínua por longos períodos e reduzindo significativamente os gastos com repelentes comuns.
Solução brasileira com alcance global

A startup InnoVec nasceu como spin-off da UFMG em parceria com o Ifakara Health Institute, da Tanzânia, e com apoio da USAid e da Grand Challenges do Canadá. A empresa está sediada no Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC), um dos principais centros de inovação do país.
Além do apoio institucional, o projeto contou com recursos do Sebrae, do CNPq e da Fapemig. Agora, a InnoVec busca ampliar sua produção com parceiros da indústria têxtil e atrair novos investidores. Grandes empresas já negociam a adoção da tecnologia em seus sistemas de proteção.
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou mais de 6,5 milhões de casos prováveis de dengue apenas em 2024. O custo econômico da doença ultrapassou R$ 28 bilhões. Diante desse cenário, soluções como o Repeltex® podem representar um avanço importante na saúde pública brasileira e mundial.
“Nossa meta é proteger ambientes inteiros e não apenas as pessoas”, destaca Álvaro Eiras. “É uma forma segura, duradoura e eficaz de combater os mosquitos que transmitem doenças graves.”
Com benefícios como durabilidade, segurança, custo acessível e alta eficácia, o Repeltex® pode mudar a forma como a sociedade enfrenta epidemias de arboviroses — protegendo casas, escolas, hospitais e espaços públicos com tecnologia 100% brasileira.
Com informações da UFMG e InnoVvec





























Torço para que chegue rápido ao mercado. Inacreditável que ainda hoje as pessoas morram contaminadas por mosquitos. Os cidadãos conhecem o conceito, sabem como evitar os focos do Aedes aegipty, mas não se mobilizam para isso. A culpa é sempre do vizinho. Nunca dele. Triste demais.