Governo anuncia canetas emagrecedoras grátis no SUS

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Canetas emagrecedoras serão distribuídas de graça pelo SUS. Imagem - Pixabay
Canetas emagrecedoras serão distribuídas de graça pelo SUS. Imagem - Pixabay

O Ministério da Saúde vai distribuir gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) os medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras. O anúncio foi feito recentemente pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante agenda com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Montes Claros (MG). A medida busca ampliar o acesso ao tratamento da obesidade de forma responsável.

O Brasil registra atualmente 14 produtos aprovados para o combate à obesidade. Com essa alta diversidade, o mercado apresentou queda nos preços, facilitando o acesso nas farmácias privadas. No entanto, o objetivo da pasta é transformar o fármaco em um direito garantido pela rede pública. O ministro reforçou que a distribuição seguirá critérios clínicos rigorosos e não funcionará como um atalho estético.

Foco em pacientes graves e produção nacional

A equipe técnica avalia grupos específicos prioritários. Entre eles estão pacientes que aguardam na fila da cirurgia bariátrica, pessoas com obesidade associada a problemas cardíacos e mulheres com histórico de câncer de mama. Os estudos buscam verificar se o uso controlado reduz o risco de retorno da doença.

Essa iniciativa nasceu após um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) orientar os países a ampliarem o acesso a esses tratamentos. O Ministério da Saúde e a Anvisa articularam com o setor farmacêutico a produção nacional da semaglutida, cuja patente expirou em 2026. A estratégia fortalece a autonomia sanitária do país e reduz custos para os cofres públicos.

Primeiros resultados e cenário da obesidade no Brasil

Os testes iniciais já mostram impactos positivos. No Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre (RS), o primeiro paciente atendido pelo programa estava na fila da bariátrica, perdeu seis quilos e reduziu medidas corporais. O protocolo de pesquisa, batizado de Real-Bari, acompanhará 250 pacientes com obesidade grave para garantir segurança e acompanhamento médico contínuo.

A urgência do programa conversa diretamente com os índices epidemiológicos do país. Dados da World Obesity Federation, divulgados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), apontam que 31% da população brasileira vive com obesidade. Além disso, o sistema Vigitel, do Ministério da Saúde, indica que o excesso de peso entre adultos avançou de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024.

O gargalo cirúrgico também motivou a busca por alternativas clínicas. A SBCBM aponta que menos de 1% dos pacientes com indicação médica realiza a cirurgia bariátrica. Em 2025, o SUS realizou cerca de 14,1 mil procedimentos, enquanto a rede suplementar somou 76.348 cirurgias. Com a incorporação das novas terapias, o governo aposta em uma frente ampla para conter o avanço da obesidade no Brasil.

Com informações do Ministério da Saúde e Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM)

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