Terapia genética devolve audição a surdos

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Imagem - Pixabay
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Pela primeira vez, um estudo clínico mostrou que a terapia genética pode restaurar a audição em crianças e jovens adultos com surdez congênita. Todos os dez participantes, entre 1 e 24 anos, passaram a ouvir sons pela primeira vez — entre eles, a chuva caindo e a voz da mãe. O resultado representa um avanço promissor na área da medicina regenerativa e pode transformar o futuro de milhares de pessoas no mundo.

A pesquisa foi realizada por cientistas chineses, em parceria com universidades internacionais. O artigo foi publicado na prestigiada revista científica Nature Medicine.

Como funciona a terapia genética que trata a surdez

A surdez tratada no estudo é causada por mutações no gene OTOF, responsável pela produção da proteína otoferlina. Sem essa proteína, o cérebro não consegue interpretar os sinais sonoros vindos da cóclea. Estima-se que cerca de 200 mil pessoas no mundo convivam com esse tipo de surdez genética.

Para corrigir o problema, os cientistas usaram um vírus adeno-associado sintético, já modificado, como vetor para transportar uma cópia funcional do gene OTOF diretamente até o ouvido interno. A aplicação foi feita por meio de uma única injeção, através da janela redonda, uma membrana situada na base da cóclea.

De acordo com os pesquisadores, a resposta ao tratamento foi rápida. Em apenas um mês, todos os participantes mostraram algum grau de melhora. Após seis meses, os resultados foram ainda mais animadores: o volume médio que os pacientes passaram a perceber caiu de 106 decibéis para 52, indicando ganho auditivo significativo.

Resultados promissores e casos emocionantes

Segundo o médico Maoli Duan, um dos autores do estudo e professor no Instituto Karolinska, na Suécia, o tratamento mostrou resultados consistentes em todas as idades, mas especialmente em crianças pequenas. Uma menina de 7 anos, por exemplo, recuperou quase toda a audição em apenas quatro meses. Antes, ela usava um implante coclear em um dos ouvidos. Após o procedimento, passou a manter conversas diárias com a mãe com o ouvido tratado pela terapia genética.

Ao sair do consultório após uma consulta, a menina ouviu o barulho da chuva pela primeira vez. A cena emocionou a equipe médica, que relatou o episódio como símbolo do impacto transformador da terapia.

Embora estudos anteriores na China tenham focado apenas em crianças, essa é a primeira vez que o método também foi testado com sucesso em adolescentes e adultos. Os pesquisadores agora planejam um acompanhamento de longo prazo, com duração entre 5 e 10 anos, para entender quanto tempo os efeitos da terapia permanecem ativos.

Futuro da terapia genética auditiva

Os cientistas reforçam que o sucesso com o gene OTOF é apenas o começo. Agora, buscam aplicar a mesma abordagem a outros genes responsáveis por formas mais comuns de surdez, como GJB2 e TMC1. Apesar de serem mais complexos, testes em animais têm apresentado bons resultados.

“Estamos confiantes de que no futuro pacientes com diferentes tipos de surdez genética poderão receber tratamento eficaz”, afirma o Dr. Duan.

A esperança, segundo os especialistas, é que a terapia genética se torne uma opção segura, acessível e duradoura, abrindo caminho para que crianças antes condenadas ao silêncio possam ouvir, se comunicar e viver plenamente.

Com informações do site Good News Network (GNN)

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