UFV cria doce de leite sem açúcar e sem lactose

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UFV desenvolve doce de leite sem açúcar e sem lactose. Fotos - divulgação-UFV
UFV desenvolve doce de leite sem açúcar e sem lactose. Fotos - divulgação-UFV

Nova fórmula tem menos calorias, sabor original e pode atender diabéticos e intolerantes à lactose

A cidade mineira de Viçosa é famosa pela universidade federal, a UFV, uma das mais conceituadas do país, e também pelo seu doce de leite. Só que essa iguaria não é para todos, pela grande concentração de glicose e também de lactose. Mas o problema foi resolvido. Um novo doce de leite, sem açúcar e sem lactose, foi desenvolvido por estudantes da UFV. Uma excelente notícia para os amantes de um docinho.

O produto, criado no Departamento de Tecnologia de Alimentos, promete manter o sabor e a textura tradicionais, mas com menos calorias e ingredientes mais saudáveis. A inovação está em processo de patente e pode reforçar ainda mais o título de Viçosa como Capital Estadual do Doce de Leite.

A proposta nasceu como desafio em sala de aula. O professor Evandro Martins, do curso de Ciência e Tecnologia de Laticínios, propôs aos alunos a criação de um doce de leite diet e deslactosado, que fosse o mais próximo possível do tradicional Doce de Leite Viçosa. “Hoje, o mercado já oferece versões sem açúcar ou sem lactose. Mas reunir as duas características em um produto saboroso e com boa textura ainda é um desafio”, explicou.

Sabor original, com menos aditivos

Nos laboratórios da UFV, os estudantes Gustavo Silva Campos e Jonathan Gusmão desenvolveram a nova fórmula. Eles buscaram atingir a textura pastosa ideal, sem recorrer a espessantes artificiais, como acontece em produtos diet tradicionais. “Sem açúcar, o doce tende a ficar mais líquido, como leite condensado”, disse Gustavo. “Alguns fabricantes usam gomas que dão um aspecto de musse, o que desagrada muitos consumidores.”

Além disso, doces diet convencionais geralmente incluem corantes e aromatizantes para imitar o produto original. Isso vai na contramão das tendências de mercado, que buscam alimentos mais naturais e com menos ingredientes. A dupla também enfrentou outro obstáculo técnico: a ausência do açúcar, somada ao uso de leite sem lactose, causava incrustações nos equipamentos, devido ao depósito de minerais. Esse problema precisou ser resolvido para tornar o processo viável em escala industrial.

Produto tem menos calorias e pode ser usado como pré-treino

Os estudantes Gustavo e Jonanthan desenvolveram o novo doce de leite com o professor Evandro Martins
Os estudantes Gustavo e Jonanthan desenvolveram o novo doce de leite com o professor Evandro Martins

Após muitos testes e ajustes, a equipe chegou a um doce com textura, sabor, cor e brilho semelhantes ao produto tradicional. O novo doce tem 25% menos calorias, podendo ser indicado para diabéticos, pessoas com intolerância à lactose e até como opção pré-treino, já que fornece energia de rápida absorção.

“A gente sabe que o sabor e a textura fazem toda a diferença. Por isso, trabalhamos para eliminar o sabor residual dos adoçantes e manter a experiência sensorial do doce tradicional”, destacou Jonathan.

Patente e incentivo à inovação

Como o produto ainda está em processo de patente, os detalhes da formulação e do processo de fabricação não foram divulgados. Segundo o professor Evandro, o projeto contou com o apoio do Núcleo de Inovação Tecnológica da UFV (NIT), responsável por orientar os pesquisadores na proteção da propriedade intelectual junto ao INPI.

A presidente do NIT, Andrea Barros Ribon, destacou a importância do incentivo à inovação desde a graduação. “Esse projeto mostra como o ambiente acadêmico pode gerar soluções concretas para a sociedade. Nosso papel é transformar conhecimento em oportunidade.”

Assim que a patente for registrada, a UFV pretende buscar parcerias com empresas interessadas em licenciar a tecnologia e viabilizar a produção comercial do novo doce de leite.

Com informações da UFV

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